Força exportadora do PR está no campo
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sábado, 08 de setembro de 2001
Vânia Casado 
O setor do agronegócio foi responsável por 52% das exportações paranaenses no primeiro semestre de 2001. Só o complexo soja (grão, farelo e óleo) participou com 34% no total das exportações do Estado. Nos primeiros seis meses do ano, o Estado exportou US$ 2,6 bilhões, sendo que desse total US$ 1,33 bilhão corresponde ao faturamento com exportações de produtos do agronegócio.
O levantamento feito pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento e Estatística (Ipardes) mostra que as exportações com o complexo soja no primeiro semestre deste ano somaram US$ 871 milhões e representam um aumento de 11,4% sobre o mesmo período do ano 2000, quando o setor faturou US$ 782 milhões. As exportações de carne tiveram o melhor desempenho dos últimos anos. No primeiro semestre, o setor faturou US$ 214 milhões, que representa um crescimento de 49% sobre o desempenho no mesmo período do ano passado, quando o setor faturou US$ 143 milhões.
As exportações de milho somaram US$ 143 milhões, que representa uma participação de 5,6% no total das exportações do Estado no primeiro semestre deste ano. A exportação de açúcar somou US$ 46 milhões, um crescimento de 88,7% sobre as exportações no primeiro semestre do ano passado, quando o setor faturou US$ 24 milhões com as vendas externas. Nas exportações de café, houve uma desaceleração com a quebra de produção provocada pelas geadas do ano passado. No primeiro semestre deste ano, o setor faturou US$ 63 milhões, que representa uma queda de 17% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as exportações de café renderam US$ 76 milhões.
Para o coordenador do núcleo de Economia do Ipardes, Gilmar Lourenço, o setor do Agronegócio tem potencial para elevar as exportações e gerar mais divisas. ''Mas tudo o que as empresas e cooperativas podiam fazer em termos de incorporar novas tecnologias de produção e modernizar os equipamentos já foi feito''. Para Lourenço, só vai haver um impulso definitivo nas exportações quando o governo adotar decisões claras e concretas como a reforma tributária, redução dos juros, oferta de linhas de crédito para exportação e redução da burocracia.
Lourenço explicou que os mercados nobres como Estados Unidos e Europa são altamente protegidos. Eles alegam que têm custos elevados de produção em função de problemas trabalhistas e com a necessidade de preservar o meio ambiente. Por isso, os agricultores desses países não abrem mão dos subsídios como forma de se manterem competitivos. ''Por isso, o governo brasileiro tem que dar o próximo passo para alavancar as exportações dos nossos produtos'', destacou.
De acordo com o economista do Ipardes, tanto as propriedades rurais com lavouras para exportação como as cooperativas adotaram padrão de produção semelhante aos dos países mais avançados. ''Com isso, o setor do agronegócio no Brasil ganhou produtividade dentro da porteira'', analisou. ''Os problemas enfrentados da porteira para fora dependem de políticas públicas para serem equacionados'', emendou.
As empresas do agronegócio já não trabalham mais com desperdícios. Elas estão operando no limite de seus custos. Lourenço disse que elas investiram em maquinários, reestruturaram seus débitos, enxugaram pessoal. ''E agora faltam medidas como tornar eficiente o setor de transportes e de armazenagem como suporte às exportações'', detalhou. Segundo ele, o transporte da matéria-prima ainda é feito por via rodoviária, o que encarece o produto.


