São Paulo - Conforme a Medida Provisória 130, reguladora do programa de empréstimo em consignação, cada trabalhador pode tomar até 30% da sua renda líquida em empréstimos. Os juros mensais cobrados pelo Santander no contrato firmado com os metalúrgicos vão de 2% a 3 ,8%, para prazos de 12 a 48 meses. A intenção da Força é estender esses acordos para os seus 1,8 mil sindicatos associados em todo o País, atingindo uma base de 16 milhões de trabalhadores.
A instituição financeira e os sindicalistas fazem projeções de que a média dos empréstimos a serem concedidos terá valor de R$ 2 mil, com prazo de 36 meses e taxa de 3% ao mês. Nessas condições, a Força estima que, caso concretize 500 mil operações, vai receber no primeiro ano R$ 7,75 milhões a título de comissão flat, além de contar com outros R$ 13,25 milhões em carteira, a comissão PMT, durante os 36 meses necessários para o trabalhador quitar sua dívida. ''É importante dizer que quem paga a comissão é o banco e não o trabalhador. O fato de recebermos comissão não muda os juros e nem os valores de desembolso do trabalhador'', sustenta Paulinho.
Embora seja contrário à cobrança da comissão, Marinho, da CUT, pensa numa proposta em que os trabalhadores associados aos sindicatos tenham juros menores do que os não-associados. Seria um movimento contrário ao acordo Força/Santander, em que todos os trabalhadores têm acesso às mesmas taxas. ''Imaginamos, por exemplo, que os associados poderiam ter uma taxa X, enquanto o não-associado teria uma taxa X mais Y. Esse Y não iria para o banco, e sim subsidiaria da taxa menor do trabalhador associado'', explica.
O secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, já se posiciona contrariamente a esse método. ''O acordo deve servir para todos e o acesso ilimitado. Punir um sujeito com taxa maior ou, de forma indireta, forçá-lo a ser sócio do sindicato por uma situação de necessidade vai contra o princípio do sindicalismo brasileiro de atender a todos os trabalhadores, sindicalizados ou não'', opina.

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