Força desiste de acordos para flexibilizar a CLT
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quarta-feira, 03 de abril de 2002
Agência Folha 
Brasília - O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, anunciou ontem que a central desistiu de assinar acordos trabalhistas que flexibilizem direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ganhamos o apoio da opinião pública, e o governo afinou. É um governo bunda-mole, criticou o sindicalista, referindo-se à decisão do governo de retirar o pedido de urgência na tramitação da lei que flexibilizaria a CLT.
Paulinho fez seus comentários à porta do auditório onde tomava posse o novo ministro do Trabalho, Paulo Jobim. O Ministério do Trabalho não quis se manifestar.
O projeto que muda a CLT foi aprovado na Câmara e está no Senado. Para garantir a aprovação com mais rapidez da emenda constitucional que prorroga a CPMF pelos senadores, o governo aceitou retirar a urgência do projeto que altera a CLT. Além dos partidos de oposição, o PMDB também se opõe ao projeto.
No mês passado, a Força Sindical realizou em São Paulo assembléia reunindo entre 25 mil e 30 mil trabalhadores, que aprovaram mudanças nas regras de concessão de direitos como férias e 13º salário e licença-paternidade.
A central começou então a negociar acordos coletivos nesse sentido, o que poderia atingir mais de 500 mil metalúrgicos de empresas de autopeças e de máquinas do Estado de São Paulo. Tratava-se de uma estratégia para pressionar o Senado a aprovar a lei ainda neste ano.
Sem a aprovação da proposta, dificilmente os acordos negociados pela Força Sindical sobreviveriam pois contrariariam a legislação vigente.


