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terça-feira, 02 de fevereiro de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O brasileiro está mudando drasticamente a forma de utilizar o telefone celular e isso está influenciando diretamente no mercado de telefonia móvel de todo o País, inclusive no Paraná. Os números do fechamento de 2015, divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel), apontam para uma queda de 8,1% no número de linhas ativas de celulares no País: de 280,7 milhões em dezembro de 2014 para 257,7 milhões no mesmo período do ano passado. No Paraná, a queda foi de 7,1%: de 15,3 milhões de linhas para 14,2 milhões em 12 meses. O Estado é sétimo no ranking de maiores reduções, com retração de 1,09 milhão de linhas, ficando apenas atrás de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Piauí, nesta ordem.
O prejuízo das operadoras no Estado é significativo (veja o gráfico de cada uma delas). A empresa que mais perdeu em percentual foi a Oi, com retração de 9,9%. Na sequência está a Vivo (-8,2%), Claro (-7,8%) e Tim (-6,4%). A única que apresentou ganho no número líquido foi a londrinense Sercomtel. Os valores por operadora foram compilados pela consultoria Teleco Inteligência em Telecomunicações, utilizando a base de dados da Anatel, que prefere não se manisfestar acerca da retração nítida.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com as principais operadoras e algumas delas justificaram a queda na planta efetiva de números. Entre os pontos citados estão a crise econômica, a utilização de aplicativos de mensagens leia-se principalmente o WhatsApp para se comunicar e mudança do perfil dos clientes, que estão deixando de lado aquela mania de utilizar vários chips de diferentes operadoras e apostam na internet. Outro ponto interessante é que as empresas estão seguindo as normas da Anatel de desligamento das linhas sem uso com maior rigidez. Antes, quando o mercado estava mais aquecido e o retorno financeiro era maior, elas bancavam as taxas destas linhas inativas pagas ao Governo para provar ao mercado a força do seu market share, mesmo que não houvesse clientes utilizando o serviço. Agora, com a redução de lucro, a conversa mudou: vale tudo para enxugar custos.
Mais dados, menos voz
O diretor comercial da Tim nos estados do Paraná e Santa Catarina, Carlos Eduardo Spezin Lopes, considera que este é um movimento natural do mercado. A companhia, que é líder disparada no Estado com 7,99 milhões de linhas móveis ativas, avalia que agora o foco da indústria passa a ser o valor associado a cada usuário em detrimento do volume de linhas. "Há uma mudança bastante relevante no comportamento dos clientes de telefonia no Brasil. Após um período com forte efeito comunidade com os consumidores se beneficiando das tarifas mais vantajosas para chamadas de voz dentro de uma mesma operadora , o mercado passa por uma fase de grande crescimento do uso de dados e redução do uso de voz, causando uma onda de migração para a comunicação via aplicativos de mensagens. Nesse contexto, o usuário não vê a necessidade de ter mais de um chip e cresceu o volume de cancelamentos, principalmente, no segmento pré-pago". A operadora também confirma a política de desligamento das linhas sem uso. A empresa "entende que essa mudança é importante para manter na base apenas os clientes ativos e para reduzir pagamento de taxas sobre linhas inativas".
Já a Claro informa que a queda "no número de linhas móveis reflete o ciclo normal de desconexão do mercado e o crescente interesse pelo uso de internet no celular". A operadora entende que o "perfil de consumo dos clientes está mudando e a maioria das pessoas está conectada quase que 24 horas por dia na internet em seus celulares e dispositivos móveis".
A reportagem da FOLHA também entrou em contato com as operadoras Oi e Vivo, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno das empresas.



