Imagem ilustrativa da imagem Fome de peixe
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Uma queda brusca na produção de pescados em estados de grande representatividade para a cadeia tem beneficiado os piscicultores paranaenses – incluindo da região Norte – que praticamente estão com todo volume produzido para a Quaresma vendido. Aquecimento da oferta, que tem ajudado os produtores a conseguir preços melhores pela tilápia. O peixe está sendo comercializado por alguns junto aos 12 frigoríficos da região por R$ 5,50 o quilo.
Junta-se a isso a desconfiança recente dos consumidores após a operação "Carne Fraca", deflagrada na última sexta-feira pela Polícia Federal, colocando em xeque a qualidade da carne bovina, suína e de frango produzida no Brasil e até rompimentos de contratos com outros países. Comerciantes de Londrina confirmam movimentação.
O Paraná é o maior produtor desta espécie de peixe, com uma produção referente a 28% do volume nacional, seguido de São Paulo (13,2%) e o Ceará (11,4%), de acordo com o último relatório divulgado em 2015 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Naquele ano, o aumento da produção de tilápia no País foi de 9,7%.
Agora, durante o período da Quaresma – época de maior consumo de peixe no ano – é justamente a situação climática ruim nestes outros estados produtores que beneficia o Paraná. Segundo o engenheiro de pesca do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Luiz Eduardo Guimarães de Sá Barreto, a seca no Ceará fez com que a produção despencasse para este momento de excelente procura, o que fez com que os nordestinos buscassem o peixe paranaense, já que o consumo por lá é muito alto. "Em Minas, a seca também prejudicou, além de São Paulo, que também comprou muito peixe da gente. Hoje, simplesmente não há tilápia sobrando para comercializar".
Junto a alta demanda, é bom dizer que a produção paranaense desta safra não manteve os mesmos níveis do ano passado. Isso porque, as chuvas que atingiram o Estado em janeiro de 2016 acabaram refletindo na produtividade da Quaresma deste ano, principalmente para aqueles piscicultores que trabalham em tanques escavados. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), a retração produtiva na região foi de aproximadamente 15%, fechando em cerca de 12 mil toneladas. "A chuva fez com que os piscicultores demorassem mais para trabalhar com os peixes, o que geralmente começa em junho ou julho para atender a Quaresma. Houve também atraso na entrega dos alevinos", comenta Luiz Eduardo.
Por outro lado, o preço do quilo de tilápia ganhou um bom fôlego para os piscicultores, já que o crescimento nas vendas deve ficar na casa dos 17%, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Pescados (Abipesca). "Hoje o preço médio comercializado com os produtores é de R$ 5 o quilo, chegando em R$ 5,50 em alguns casos. O valor é bom e o produtor está sendo remunerado em cerca de R$ 1 o quilo, quando retirado os custos de produção. Por outro lado, para o consumidor, os preços do filé de pescados aumentaram na gôndola", complementa.

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