Folha tem acesso às valas onde gado é enterrado
A 100 metros das valas abertas, o odor já é insuportável. As cerca de 1,2 mil carcaças que estão na cavidade, às 15h30 de ontem, exalam o cheiro de decomposição. De cima de um ônibus, avistamos os bovinos mortos, nas valas, enquanto uma máquina vai jogando terra sobre os animais. Aves sobrevoam o local em um céu já encoberto pelas nuvens escuras da chuva. É uma imagem que dificilmente será apagada da memória.
A reportagem da Folha teve acesso ontem, com exclusividade, às valas onde os animais estão sendo enterrados. Na entrada da fazenda, a equipe da Folha vestiu roupas descartáveis para poder se aproximar do local. O procedimento é uma exigência das normas de biossegurança para evitar a disseminação do vírus da febre aftosa. A vala, de mais de 200 metros de comprimento, foi aberta sobre uma plantação de milho já colhido, próxima ao confinamento.
Próximo das valas, a reportagem encontra um outro lote com cerca de 300 animais. São fêmeas - vacas e novilhas - que já foram condenadas e que aguardam a hora do sacrifício. No próximo mês, talvez não haja mais nenhum sinal das cavidades e de que os bovinos foram enterrados ali. A terra vai abrigar uma plantação de trigo, cultura de inverno, que é intercalada com o milho, cultivado na safra normal. (F.M.)





