Folha inicia 2003 com projeção otimista
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2003
Reportagem Local 
Após mais de cinco anos operando no prejuízo, a Folha de Londrina deve voltar à normalidade financeira em 2003. A afirmação é do diretor-superintendente da empresa, José Eduardo de Andrade Vieira, que implementou um programa de redução de despesas, racionalização de serviços e aumento de receitas para superar as dificuldades.
Entre as medidas adotadas, Andrade Vieira citou a redução de despesas com comissões e serviços de terceiros, de R$ 500 mil para R$ 200 mil mensais. A empresa também trabalhou para diminuir o índice de cancelamento de vendas e assinaturas, com consequente redução do volume de encalhe. Graças a essa iniciativa, o consumo de papel caiu de 350 toneladas mensais para 230 toneladas por mês. ''A meta é atingir 200 toneladas'', adiantou.
Ao eliminar a terceirização da distribuição do jornal, a Folha passou a gastar R$ 135 mil mensais com o serviço, ante os R$ 220 mil dispendidos anteriormente. Além disso, melhorou a qualidade da distribuição. ''O número de reclamações pela entrega caiu de 80 para quatro ocorrências diárias'', disse.
Apesar desse esforço, desde setembro de 2001 a Folha vem atrasando em 15 dias a um mês o pagamento do salário dos funcionários. De acordo com o superintendente, fatores externos impediram a regularização da situação. Uma das causas do agravamento dos problemas foi a excessiva alta do dólar, que onerou os gastos com papel, cotado pela moeda americana.
Outra dificuldade foi a suspensão, nos últimos dois anos, dos anúncios de mídia técnica (como editais e de informações de interesse da população) do governo do Estado no jornal. A lei estabelece que esses anúncios, cuja publicação é obrigatória, sejam publicados em veículos de grande circulação no Estado.
Segundo Andrade Vieira, o governo investia de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões anuais até 2000. Em 2001, esse gasto foi de R$ 400 mil, caindo para R$ 200 mil em 2002, quando o governo gastou, em outros veículos, R$ 2,5 milhões mensais com a mídia técnica. Para ele, a falta de anúncios decorre da postura independente da Folha frente às ações do governo que deixou o poder em 1º de janeiro último.
Além desses fatores, o superintendente lembrou que o pagamento dos salários foi prejudicado pelas indenizações trabalhistas que a empresa foi obrigada a pagar durante 2001 e 2002. Os funcionários, segundo ele, foram demitidos em cumprimento ao programa de redução de despesas e racionalização de serviços implementado.
Fundada há 54 anos em Londrina, a empresa inicia 2003 com boas perspectivas. A cotação do dólar caiu e a expectativa é que a moeda americana continue desvalorizando. Além disso, Andrade Vieira espera voltar a ser tratado em igualdade de condições pelo governo do Estado, com relação aos outros veículos de comunicação paranaenses. ''A empresa continua a dar prejuízos, mas as dificuldades já foram maiores. A situação deve melhorar'', salientou.


