Imagem ilustrativa da imagem Fôlego retomado
| Foto: Marcos Zanutto/09-12-2014
Cultivar a primeira safra de milho é positivo para a cultura devido à temperatura mais propícia, sem riscos de geada



Nada como um dia após o outro no agronegócio. Depois de um ciclo de anos perdendo área para a soja, o milho primeira safra finalmente deve se recuperar nas regiões do Sul e Centro-Oeste do País, na projeção da safra 2016/17. Esta, pelo menos, é a expectativa do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura (Mapa), Neri Geller. Ele relatou essa movimentação das lavouras durante o 15º Congresso Brasileiro de Agronegócio, que aconteceu no início do mês em São Paulo. O Paraná, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), deve seguir esta tendência.
A consolidação da commodity no mercado interno, com preços bem competitivos, é a principal justificativa para a aposta futura dos produtores em áreas de milho na primeira safra da próxima temporada. "Há uma tendência não muito elevada, mas o milho vai ganhar áreas no Centro-Oeste e no Sul, inclusive com produtores migrando da soja para o grão. Não sou de dar conselhos, mas se fosse fazer uma projeção como produtor, acho que deve plantar (milho) sim. O Brasil se consolidou como grande mercado exportador nos últimos três anos, em termos de qualidade é o melhor do mundo, além da abertura de novos mercados internacionais. Se precisar fazer a subvenção e garantir o preço mínimo, o governo estará presente e com orçamento", relata Geller.
No Paraná, a primeira safra de milho em 2015/16 ocupou 413,7 mil hectares (ha). Existe uma expectativa de que a área retorne pelo menos ao que ocupou na temporada anterior (2014/15), quando atingiu a marca de 542,3 mil ha, elevação de 31%. Os números oficiais da primeira estimativa serão divulgados pelo Deral no dia 25 de agosto.
O técnico do Deral Edmar Gervásio explicou que, historicamente, a primeira safra de milho no Estado sempre foi mais forte que a de soja. Entretanto, os preços da oleaginosa mudaram esse cenário nos últimos anos. Em 2007, por exemplo, a área de milho primeira safra paranaense foi de 1,3 milhão de ha e, a partir daí, despencou ano a ano. "Agora, há essa estimativa de aumento da área para o próximo ciclo. É claro que o impacto para o volume de soja não significa muito, mas para quem aposta no milho pode ser interessante", comenta Gervásio.
Ele diz que o principal critério para escolha em semear o milho é o preço, acima dos R$ 30 a saca de 60 quilos. Ele explica que os produtores que apostam na primeira safra geralmente são mais tecnificados e conseguem altas produtividades, com médias de 8,5 mil quilos por hectare (kg/ha) e atingindo até 14 mil kg/ha, em áreas como Ponta Grossa. "Apesar da relação de custo e venda ser mais estreita no milho, a produtividade por hectare é maior, o que torna a cultura bem interessante em algumas regiões com mais tecnologia."
Para Gervásio, cultivar a primeira safra de milho é positivo para a cultura devido à temperatura mais propícia, sem riscos de geada. "É claro que também há pontos negativos, como perigo de vendaval, seca ou excesso de chuvas."

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