Fôlego para a mandioca
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segunda-feira, 02 de maio de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Depois de um 2015 desastroso e de muitas dificuldades, os produtores de mandioca paranaenses estão um pouco mais aliviados com a situação da safra atual. Afinal, com a queda na produção e maior demanda das indústrias de farinha e fécula, o mercado está melhor regulado, o que deu novo fôlego aos preços e faz com que os produtores possam negociar partes das dívidas acumuladas no ano passado. Uma situação que oscila como uma gangorra ano após ano, dependendo da lei de oferta e procura. Altos e baixos que já se tornaram recorrentes.
O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab) aponta que aproximadamente 30% da safra já foi colhida até o momento. A expectativa é que o volume total atinja a marca de 3,7 milhões de toneladas, uma queda de 6,5% em comparativo ao ano passado. Cheio de dívidas e competindo com outras culturas, os produtores consequentemente diminuíram a área de plantio, que retraiu 8% e fechou em 132 mil hectares (ha). O Noroeste do Estado continua com as lavouras mais representativas, com Paranavaí responsável por 40 mil ha, seguido de Umuarama (33 mil ha), Toledo (14 mil ha) e Campo Mourão (11 mil ha).
O técnico do Deral que trabalha com a cultura, Metódio Groxko explica que o momento atual está diretamente ligado à maior demanda de farinha do Nordeste, região que tem procurado o produto paranaense. Vale dizer também que 70% da fécula nacional é produzida no Estado. "Outro ponto que ajudou na melhoria do cenário é que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) interveio com algumas compras no segundo semestre do ano passado, auxiliando na subida dos preços. A retração de plantio e da produção também equilibrou o mercado neste momento", complementa Groxko.
Preços
A alta dos preços para o produtor são bem significativas. A tonelada da mandioca, que em 2015 ficou com média de comercialização de R$ 175, fechou o último mês de abril negociada no Estado a R$ 364, uma alta de 108%. Os produtos processados pela indústria, consequentemente, apresentaram elevação. A saca da farinha saltou de R$ 44 para R$ 83 (alta de 88%), enquanto a fécula saiu de R$ 25 para R$ 52 (108%). "Agora os valores estão normalizados, diferentemente do ano passado. Os preços não estão fora do normal, mas estão ajudando a recuperar o prejuízo. Atualmente, o custo de produção variável é de R$ 208 a tonelada".
Lavoura
O presidente do Sindicato Rural de Paranavaí, Ivo Pierin Junior, relata que intempéries climáticas também comprometeram a produtividade das lavouras nesta safra. "O verão foi atípico e o excesso de chuvas atrapalhou a produtividade. É um produto que suporta bem a seca, mas não gosta de precipitações recorrentes, que deixam o solo encharcado e promove o apodrecimento das raízes", explica.
Outro assunto levantado pelo presidente do Sindicato é que mesmo com a melhora de situação, os produtores continuam descapitalizados. Ele não acredita que haja uma rápida recuperação de área para as próximas safras. A mandioca no Noroeste perdeu certo espaço para a pecuária, devido à alta do preço da arroba e, claro, também para a soja. "Mesmo assim tivemos um bom volume produtivo no primeiro trimestre. Em contrapartida, os produtores descapitalizados investiram menos em tratos culturais, o que pode atrapalhar os resultados futuros de algumas áreas".



