Os ganhos mais significativos para a produção nacional foram registrados no milho (46,8%), fumo (28,4%) e soja (17,5%)
Os ganhos mais significativos para a produção nacional foram registrados no milho (46,8%), fumo (28,4%) e soja (17,5%) | Foto: Celso Pacheco/05-08-2015



O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária puxou para cima os resultados nacionais, com alta de 15,2% no primeiro trimestre deste ano ante o mesmo período de 2016. No Paraná, a expectativa é que o índice supere o do País, pela maior relevância do setor rural na economia e pelo efeito cascata da safra recorde de grãos em atividades como a avicultura e a suinocultura, por exemplo. Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira, 1º.

Por um lado, o ganho de produção garante não apenas a recuperação, mas um salto sobre os resultados de 2016, quando problemas climáticos prejudicaram boa parte das atividades rurais. Os aumentos mais significativos para a produção nacional foram registrados na soja (17,5%), no milho (46,8%), arroz (13,5%) e fumo (28,4%), conforme o IBGE. Os comparativos são sempre entre iguais períodos de cada ano.

Na outra ponta, há uma queda nas cotações das commodities devido à maior oferta, bem como um câmbio mais desfavorável neste início de 2017 em relação a 2016. O dólar abriu o ano passado com preço na casa dos R$ 4,03 e flutuou para baixo, até fechar o trimestre em R$ 3,55, segundo o Banco Central (BC). O valor ficou entre R$ 3,27 e R$ 3,16 neste ano. A diferença entre os valores do começo de cada ano foi de 18%.

Mesmo assim, a previsão é de maior fôlego para grande parte das atividades agropecuárias. "O barateamento do custo de produção, com milho e farelo de soja mais em conta, é que tem sustentado as margens estreitas da avicultura e da suinocultura", diz o técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná Eugenio Stefanelo.

Stefanelo lembra ainda que é esperado um aumento do consumo de leite e derivados, com a recuperação da economia depois de dois anos de queda no PIB. Porém, considera que o maior impacto no PIB agropecuário é mesmo dos grãos e no primeiro trimestre. "Temos o milho safrinha, a cana, o café e o feijão, que entram na conta de abril a junho, mas o impacto é menor. E outras atividades, como leite e carnes, têm oferta quase o ano todo", completa. Até por isso, considera que o Paraná terá alta ainda mais expressiva.

Tanto o cenário é otimista que a previsão para o crescimento do setor foi revisada de 6% para 9%, na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). "A perspectiva é muito positiva, mas a base de comparação do ano passado é bem menor", diz o chefe da Divisão de Estatísticas da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab).

Para o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki Junior, o efeito multiplicador do setor também pesa em outras atividades, como comércio, indústria e serviços. "Se considerarmos somente a elevação de renda no agronegócio, pode puxar outras atividades também de modo indireto", sugere.

Imagem ilustrativa da imagem Fôlego no campo



Base menor
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, destacou no último dia 1º, em nota, que foram mais de 30 milhões de toneladas de grãos perdidas no ano passado por problemas climáticos, o que justifica o salto deste ano. "Quando você tem maior volume de mercadoria, há mais fretes, aumento do consumo de combustíveis e pneus, mais pessoas empregadas e maior procura por serviços."

Também a gerente das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, disse na coletiva de apresentação dos dados que o desempenho tem de ser encarado como uma recuperação, pela base de comparação deprimida de 2016. "Tivemos 15% de aumento no valor adicionado, principalmente por causa da safra recorde que tivemos neste ano, também ante um período deprimido do ano passado, mas o crescimento deste ano está acima das quedas registradas no ano passado."

Relevância estadual
O agronegócio tem maior importância para a economia paranaense do que para a brasileira, o que deve fazer com que o crescimento estadual seja maior no setor no primeiro trimestre. O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki Junior, afirma que o órgão deve divulgar no próximo dia 13 a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) regional.

"Só na agropecuária, da porteira para dentro, a relevância para o PIB do Paraná chega a 10% e, com o agronegócio, a 30%", diz Suzuki Junior, ao citar os desdobramentos da atividade como transporte, armazenagem e serviços, entre outros.

O técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná Eugenio Stefanelo conta que o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) das Universidade de São Paulo (USP) estima em 21,5% o peso do agronegócio na economia nacional no ano, em 23% no primeiro trimestre e em 30% quando se refere apenas ao Paraná. "Não podemos esquecer que somos os maiores produtores de frango do País e estamos entre os primeiros em suínos e leite", diz.

O chefe da Divisão de Estatísticas da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), Hugo Godinho, cita que o Paraná também tem maior receita por conta de serviços ligados ao setor. "Pelos volumes que movimentamos, não apenas na exportação local, mas do que vem de outros estados e é armazenado e comercializado por aqui, temos bons resultados." (F.G.)

mockup