Puerto Iguazú - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, classificou como ''ponto fora da curva'' a queda de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano, embora reconhecendo que ''o resultado já era esperado'', mas que ''foi um pouco acima do previsto''.
Segundo o ministro, ''o importante é que esse resultado não indica uma tendência'', já que, na sua opinião, ''o crescimento não vai parar'' e a perspectiva é de que haja ''um bom crescimento este ano''. Palocci, no entanto, esquivou-se de responder se, por causa deste resultado negativo, o governo seria obrigado a rever a meta de crescimento do ano de 3,4%. ''Vamos refazer as contas. Logo estes números serão avaliados e divulgados'', comentou, evitando fazer novas projeções.
As declarações de Palocci foram dadas após a reunião de ministros brasileiros e argentinos em Puerto Iguazú, em comemoração aos 20 anos de assinatura do acordo que deu origem ao Mercosul. Palocci aproveitou para conversar com a nova ministra da Economia argentina, Felisa Miceli, que considerou ''pessoa simpática e generosa''. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, não quis responder aos jornalistas sobre os números do PIB.
Palocci, que demonstrava bom humor, pacientemente repetiu inúmeras vezes que este dado negativo ''era natural'', que o crescimento será sustentado e continuado e que a economia fechará o ano ''com 2 pontos a menos na inflação''. Indagado se os dados negativos do PIB poderiam resultar em um aumento da pressão contra sua permanência no governo, Palocci declarou: ''Não estou preocupado com isso.'' E acrescentou: ''Fico mais estimulado a trabalhar quando as dificuldades e os desafios aparecem. Eles servem de estímulo maior para que nós nos dediquemos a garantir o processo de crescimento que vamos realizar, com certeza, ao longo do próximo período.''
O ministro da Fazenda também não quis responder de forma incisiva se o enfraquecimento do ritmo de atividade poderá permitir uma queda mais rápida das taxas de juros. ''O Banco Central vai observar todos esses elementos do crescimento e do comportamento da inflação. O foco do Banco Central é o comportamento da inflação'', disse.

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