Nem sempre - quando as lojas de rua se organizam - o foco imediato está nas vendas. Em Curitiba, três lojas vizinhas na avenida Vicente Machado, no Centro, estão promovendo a ''Vicentina'', que termina hoje. Trata-se de um evento múltiplo, que reúne atividades culturais e de lazer, com objetivo de criar um ponto de encontro para seu público-alvo e, ao mesmo tempo, divulgar seus produtos e aumentar as vendas.
O evento está sendo organizado por duas lojas de moda, Arad e Lamb, e o Estúdio Teix, de tatuagem. ''A intenção é um resgate dos anos 90, quando havia este tipo de reuniões, com o mote de reunir as pessoas para que elas comprem dentro do evento'', explica o designer especialista em moda Roberto Arad, idealizador do evento.
O objetivo, segundo ele, é atingir o público das classes A e B, com um evento que traz o diferencial de ser ''mais cultural''. Em uma ambientação criada na própria calçada, com mesas e puffs, o público poderá degustar algumas comidinhas e bebidas. O evento contará com exposição de fotografias, pocket shows de humor e música e vitrines vivas.
A poucas quadras dali, comerciantes da região da Praça Espanha foram pioneiros nesse tipo de iniciativa. Em novembro de 2007, 50 empresários da região se uniram e formaram a Associação dos Comerciantes da Região da Praça Espanha. Com o sugestivo nome de Batel Soho, inspirado na experiência homônima de Nova Iorque, os lojistas passaram a fazer promoções conjuntas de vendas e promover atividades culturais na praça. Como resultado, conseguiram estabelecer um novo roteiro de gastronomia, compras e lazer, hoje já institucionalizado para os curitibanos.
Para a consultora do Sebrae-PR, Walderes Bello, os lojistas só têm a ganhar com essas iniciativas. ''É um erro pensar que isso pode trazer maior concorrência. Quanto mais o empresário trabalhar colaborativamente, melhores serão seus frutos. Organizado, o comércio de rua tem mais oportunidade de crescer e se consolidar, tanto quanto os shoppings'', diz. (M.G.)

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