Foco no setor privado
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quinta-feira, 12 de maio de 2016
Reportagem Local 
Em seu primeiro discurso como presidente em exercício, Michel Temer deixou claro que a linha de frente de sua política econômica, liderada por Henrique Meirelles na condução do Ministério da Fazenda, será criar um ambiente favorável para o setor privado. O novo chefe do Executivo federal citou números da crise econômica, como o desemprego afetando 11 milhões de pessoas, inflação de dois dígitos, deficit de quase R$ 100 bilhões e o quadro de recessão para apontar que o maior desafio de seu governo será "estancar o processo de queda livre na atividade econômica, que tem levado ao aumento do desemprego e a perda do bem-estar da população."
E em seguida, deu a receita. "Para isso, é imprescindível reconstruirmos os fundamentos da economia brasileira. E melhorarmos significativamente o ambiente de negócios para o setor privado. De forma que ele possa retomar sua rotação natural de investir, de produzir e gerar emprego e renda."
Outra medida imediata mencionada pelo presidente em exercício é uma bandeira levantada pelo mercado: o controle das contas públicas. "Precisamos também restaurar o equilíbrio das contas públicas, trazendo a evolução do endividamento no setor público de volta ao patamar de sustentabilidade ao longo do tempo. Quanto mais cedo formos capazes de reequilibrar as contas públicas, mais rápido conseguiremos retomar o crescimento."
Máquina
Nesse sentido, Michel Temer confirmou como ação prática o enxugamento da máquina pública, com a redução de ministérios e a promessa de eliminar cargos comissionados e funções gratificadas. E também procurou tranquilizar o mercado ao assegurar a independência do Banco Central na condução das políticas monetária e fiscal. Ao mencionar seu compromisso em reduzir os gastos públicos, o vice de Dilma fez uma crítica indireta à política adotada pela presidente afastada e o PT. "Quando eu digo é preciso dar eficiência aos gastos públicos, coisa que não tem merecido maior preocupação do Estado brasileiro, nós todos estamos de acordo com isso. Nós precisamos atingir aquilo que eu chamo de democracia da eficiência."
Inflação
O presidente em exercício também afirmou que seu governo fará um "esforço extraordinário" para reduzir a inflação a fim de que os investimentos internos e externos sejam retomados. "Eu quero também remover - pelo menos nós faremos um esforço extraordinário para isto - a incerteza introduzida pela inflação dos últimos anos. Inflação alta atrapalha o crescimento, desorganiza a atividade produtiva e turva o horizonte de planejamento dos agentes econômicos. E sabe quem sofre as primeiras consequências dessa inflação alta? É a classe trabalhadora e os segmentos menos protegidos da sociedade, é que pagam a parte mais pesada dessa conta", afirmou Temer, numa clara tentativa de aliciar a classe trabalhadora, especialmente os movimentos mais historicamente alinhados com o PT.
Meirelles
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi ao seu novo gabinete de trabalho logo após a cerimônia de posse do presidente interino Michel Temer e de sua equipe ministerial. Ao desembarcar na sede do Ministério da Fazenda ontem, afirmou a jornalistas estar preparado para enfrentar os problemas que estão aí, após ser questionado se estaria animado com a nova função.
O novo titular da equipe econômica deve conceder entrevista à imprensa hoje para anunciar sua equipe de secretários. Quem esteveà frente do ministério ontem foi o secretário-executivo da Pasta, Dyogo Henrique de Oliveira. Dyogo deve continuar no governo, como secretário-executivo do Ministério do Planejamento, na equipe de Romero Jucá. (Com Folhapress)


