Foco nas leguminosas
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quinta-feira, 14 de abril de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Fonte proteica fundamental para a alimentação humana e peça chave no sistema produtivo paranaense, as leguminosas leia-se principalmente soja e feijão são fundamentais para a movimentação econômica de diversos produtores do Estado. Por ter características como a fixação do nitrogênio do ar, cobertura de solo e rotação de culturas, elas possuem um impacto positivo na produtividade das lavouras e no meio ambiente, mas nem sempre são valorizadas. Se por um lado a soja ganha espaço no mercado internacional, por outro as safras anuais de feijão têm passado por queda de área, além dos preços oscilarem demais e, assim, a cultura não traz confiança aos produtores.
Um cenário que exige reflexão e foi lembrado ontem pela manhã na casa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) no Parque de Exposições Ney Braga, durante a 56ª edição da ExpoLondrina. Pesquisadores, extensionistas e profissionais ligados à área fizerem uma breve análise sobre a importância das leguminosas. O secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, também participou do evento, realizado em parceria com a Sociedade Rural do Paraná (SRP) e Grupo Folha, que aliás, foi homenageado devido ao trabalho de 46 anos do suplemento Folha Rural, como um grande fomentador do agronegócio paranaense (veja o box).
Ano Internacional
O coordenador nacional de programas da FAO na região Sul, Carlos Antônio Biasi, salientou a importância da entidade declarar 2016 como o "Ano Internacional das Leguminosas". Primeiramente, ele disse que é necessário uma aposta maior em variedades de sementes de feijão para pequenos agricultores. "A grande maioria dos produtores está em áreas menores que cinco hectares. A pesquisa precisa trabalhar para desenvolver plantas de porte maior, para deixar a vida dos produtores menos penosa na colheita. Outra questão é focar no consumo das leguminosas para melhorar a saúde e qualidade de vida da população. Por fim, a ideia é criar mecanismos para a exportação de algumas variedades de feijão, que já possuem mercado em outros países".
A pesquisadora de melhoramento e genética vegetal do Iapar, Juliana Sawada Buratto, bateu na tecla das leguminosas serem fundamentais para atingir sistemas de produção aperfeiçoados. "Para a população, estamos tratando de culturas de alto teor proteico e de fibras, fundamentais para a saúde humana. Para a agricultura, são plantas que melhoram a qualidade do solo devido a esta captação biológica de nitrogênio, o que aumenta a fertilidade naturalmente da lavoura".
Vale lembrar que o Iapar detém um dos principais programas brasileiros de melhoramento genético de feijão. Desde 1974, quando começou a operar, já entregou 36 cultivares. Desse total, 12 estão atualmente no mercado , com indicação para plantio em diversas regiões produtoras do Brasil. "Temos que pensar que este é um trabalho contínuo da área de pesquisa, sempre trazendo novas tecnologias. Nós temos demandas específicas, como desenvolver variedades de ciclos mais precoces e resistentes a doenças", complementou.
Cooperação
O Iapar aproveitou o evento para oficializar um acordo de cooperação com o Núcleo Regional de Educação de Londrina. O objetivo é a valorização da ciência por meio de um projeto piloto em que, a partir de maio, alunos de 12 escolas do município vão passar algumas horas da manhã para conhecer diversas áreas da instituição. Posteriormente, serão realizados trabalhos sobre as visitas cujo os três vencedores ganharão um passeio pelas estações do Iapar por todo o Estado.


