Imagem ilustrativa da imagem Foco na eficiência
| Foto: Saulo Ohara
7º Simpósio Internacional de Reprodução Animal Aplicada reuniu 900 participantes em Londrina



O Brasil é internacionalmente reconhecido pelo seu setor pecuário, mas apesar uma área propícia e um plantel de 200 milhões de cabeças, ainda peca demais na eficiência produtiva, em diversos aspectos. O primeiro elo da cadeia que precisa rapidamente atingir um patamar mais tecnificado e de investimento é o de reprodução animal. Na competição atual do agronegócio, quem não busca esse tipo de ferramenta fica para trás.
Foram justamente essas técnicas que foram apresentadas no 7º Simpósio Internacional de Reprodução Animal Aplicada (SIRAA), encerrado ontem em Londrina. O evento, que acontece na cidade a cada dois anos, contou com aproximadamente 900 participantes, entre pecuaristas e profissionais especializados em reprodução bovina. A ideia foi apresentar um conteúdo com aplicabilidade imediata no campo.
O coordenador científico do evento, o professor Pietro Sampaio, do departamento de reprodução animal da Universidade de São Paulo (USP), disse à reportagem da FOLHA que para a "pecuária nacional se tornar mais competitiva e rentável, é necessário evoluir em reprodução".
Ele explicou que o principal problema do setor é que o País tem um rebanho grande, com alto número de fêmeas em idade reprodutiva, mas que produz poucos bezerros anualmente. "A cada cem fêmeas em idade reprodutiva, se produz 60 bezerros por ano, o que mostra uma baixa eficiência. Os países que concorrem conosco têm uma taxa que varia de 80 a 90 bezerros por ano a cada cem fêmeas. Para aumentarmos nossa produção de carne e de leite, é preciso discutir técnicas de reprodução mais eficientes e aplicá-las."
O professor também relatou que o bezerro nacional tem valor genético baixo. "As ferramentas de reprodução, como a inseminação artificial e a transferência de embrião podem colaborar, porque é possível utilizar o material genético dos melhores touros avaliados geneticamente. Vale ressaltar: no Brasil apenas 10% a 12% das matrizes estão inseridas em técnicas de inseminação artificial", complementa.
A Geraembryo é uma empresa de Cornélio Procópio que trabalha com técnicas de reprodução bovina há 15 anos e uma das realizadoras do evento. O sócio-proprietário Rubens Pinto comenta que a situação da pecuária não está fácil no Estado, principalmente com o crescimento da área de grãos, cana e eucalipto, caindo a população de bovinos para aproximadamente nove milhões de cabeças. "O gado que permanece na atividade precisa ser trabalhado melhor para aumentar a produtividade. Atuamos muito com a técnica de IATF (Inseminação em Tempo Fixo), que chega para fazer a vaca criar um bezerro por ano, esta é a nossa meta. Nossa taxa de desfrute estadual é de 20%, enquanto nos EUA é 38%."
O IATF é uma técnica que promove a sincronização da ovulação das fêmeas bovinas após a administração de medicamentos em dias predeterminados. Desta forma, é possível sincronizar um lote de vacas paridas ou novilhas e inseminá-las todas no mesmo dia, sem a necessidade de observação de cio. "Quem ficar (na atividade) precisa ser eficiente. Hoje, o ideal é a integração de pecuária com a agricultura. Não queremos dissociar isso, é um casamento. Há clientes nossos que aumentaram o número de vacas por hectare, com o incremento de alimentação e essa técnica, e os resultados são significativos, inclusive com rentabilidades maior que da agricultura. A pecuária saiu da zona de conforto e está buscando resultados", avalia o empresário.

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