"Temos que voltar a ter o velho Itamaraty." Assim definiu o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Côrrea Carvalho, sobre a atuação do ministro das Relações Exteriores, José Serra, frente ao que pode ser feito pelo agronegócio brasileiro no mercado internacional, incrementando as exportações. Vale lembrar que o País teve boas notícias recentemente: a abertura dos Estados Unidos para a carne bovina nacional in natura e uma conversa com a Argentina para um trabalho bilateral mais sistematizado entre os dois países.
O embaixador de carreira e ex-secretário do Itamaraty Marcos Azambuja esteve presente no 15º Congresso Brasileiro de Agronegócio e disse que nos últimos anos houve um abandono do profissionalismo no que diz respeito às relações internacionais e captação de novos mercados para o agronegócio. "É preciso ter foco, com uma diplomacia de resultados e mais eficiente."
Para Azambuja, isso passa, necessariamente, pela busca de acordos bilaterais, "sem preconceitos". "Mais do que o global, precisamos olhar para o regional, se aproximar, por exemplo, de países vizinhos e convencê-los a usar a estrutura do Brasil, como os portos. É uma política de sedução e atração", complementou. Outro ponto relatado pelo embaixador é que o "Brasil precisa buscar a propriedade intelectual dos seus produtos e não focar apenas em volume".
Já a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, comentou que o importante agora é que com a "mudança de regime político", o governo pare de "atrapalhar" o agronegócio, com uma agenda de segurança jurídica e com marcos regulatórios mais eficientes. "Hoje as reformas econômicas estão com um status de agenda de governo. Isso passa por reformas estruturais, isso é inevitável. O agronegócio não pode ficar dependendo da taxa de câmbio e deve focar numa agenda microeconômica", complementou. (V.L.)

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