As ações de fiscalização sanitária do Paraná foram intensificadas ontem após a confirmação da ocorrência de um foco de febre aftosa no Paraguai, fato que foi notificado à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês). A mobilização das autoridades paranaenses começou após o comunicado feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O foco de febre aftosa foi identificado no departamento de San Pedro, na localidade denominada Sargento Loma, que fica a cerca de 235 quilômetros de Guaíra e a 126 quilômetros da divisa com o Mato Grosso do Sul. O vírus encontrado é do tipo O, mais comum na América do Sul.
Como prevenção, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) começou a adotar, de forma emergencial, todos os procedimentos técnicos para evitar a circulação do vírus da febre aftosa no estado do Paraná. Em nota divulgada à imprensa, o Departamento de Fiscalização e Defesa Sanitária (Defis) do Paraná afirma que está reforçando a fiscalização sobre o trânsito de animais e cargas de produtos e subprodutos de origem animal em toda a área de abrangência da fronteira com o Mato Grosso do Sul e com os países vizinhos.
''Para essa região, onde estão instalados seis postos de fiscalização, a Secretaria da Agricultura está intensificando a vigilância sanitária, deslocando pessoal para as unidades onde é necessário um reforço de técnicos'', revela o comunicado. Segundo a Seab, o Ministério da Agricultura, órgão responsável pela vigilância em fronteiras internacionais, reforçou a atenção no posto de fiscalização de Foz do Iguaçu, por onde passam cargas de animais e produtos.
''Se o estado do Mato Grosso do Sul adotar todas as medidas preventivas recomendadas e a vigilância reforçada no Paraná for mantida, acredito que será possível barrar a circulação do vírus'', avalia, em nota, o diretor do Departamento de Fiscalização e Defesa Sanitária, Marco Antonio Teixeira Pinto.
Segundo o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Seab, Claudio Cesar Sobezak, para intensificar a fiscalização interestadual a Seab vai reforçar as vistorias feitas nas propriedades onde se encontram animais vindos de outros estados, principalmente do Mato Grosso do Sul. ''Faremos uma avaliação clínica para verificar a existência de sintomas da doença nos animais. Esse trabalho nas propriedades já é uma rotina, mas agora faremos com a atenção redobrada, com mais cautela'', explica. Sobezak revela que também será feito o deslocamento de pessoal para locais que apresentarem maior necessidade de fiscalização.
Aftosa no Paraná
O último caso registrado no Paraná foi em 2005, quando a pecuária paranaense sofreu com a doença. No ano passado o Estado tentou, sem sucesso, obter o status de área livre da febre aftosa sem vacinação. Na ocasião, a falta de estrutura e de pessoal necessários para realizar a fiscalização adiou os planos do Governo do Estado.
Este ano, a primeira etapa da vacinação, realizada em maio no Paraná, imunizou 97,02% do rebanho. Na próxima etapa, agendada para novembro, a estimativa é de vacinar 9,6 milhões de cabeças. Em nota, a Seab afirma que está adotando todos os procedimentos técnicos para pleitear novamente, nos próximos anos, o reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação junto ao Ministério da Agricultura e à OIE.

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