Washington - O Brasil tem hoje mais condições para sustentar o crescimento graças a reformas adotadas nos últimos cinco anos, disse ontem o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Hemisfério Ocidental, Anoop Singh. Ele apontou mudanças na área fiscal, investimentos na educação e a evolução das exportações para justificar seu otimismo. Os cinco anos mencionados pelo economista foram o período de ajuste depois da mudança cambial de 1999.
Singh destacou a variedade crescente das exportações e de sua destinação: ''É um novo fenômeno e acho que estamos vendo apenas o seu começo''. É um sinal, acrescentou, de uma transformação estrutural na economia. Segundo ele, está sendo consolidada uma firme tendência de maior abertura, isto é, de maior partipação do comércio na economia brasileira e de maior crescimento.
Singh descartou a idéia de que Brasil esteja condenado a repetir os surtos de expansão econômica, inflação e estagnação. ''Não sou tão pessimista'', disse, ao comentar uma pergunta. Segundo ele, é cedo para avaliar se o governo deve manter para 2005 a meta fiscal revista para este ano, um superávit primário de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso vai depender tanto da situação global quanto da evolução da demanda interna, acrescentou. Esse tema, informou, será discutido mais tarde com as autoridades do País. ''O governo brasileiro construiu um histórico muito bom de desempenho fiscal e devemos confiar em sua avaliação neste assunto'', prosseguiu.
Neste ano, o governo elevou de 4,25% para 4,5% a meta de superávit primário, a economia realizada no ano para o serviço da dívida pública. Para o próximo ano foi mantido o objetivo de 4,25% do PIB. O esforço adicional neste ano foi facilitado por uma arrecadação maior que a prevista. Esse esforço deve permitir uma redução mais veloz da dívida pública. Além disso, as autoridades aumentaram a taxa básica de juros (Selic) para manter a inflação dentro da faixa programada para 2005, lembrou o economista.
O recente aumento da inflação, observou o diretor-adjunto Charles Collyns, que tem chefiado missões ao Brasil, tem resultado principalmente de choques de oferta, como a alta do preço do petróleo, e não do excesso de demanda no Brasil. ''As expectativas'', segundo ele, ''são de que a inflação comece a cair, em linha com os objetivos do Banco Central.'' Collyns classificou como espetacular o avanço das exportações brasileiras e lembrou que o fortalecimento das contas externas já se reflete na reclassificação do Brasil pelas agências de risco.
''No Brasil, a aderência do governo a políticas macroeconômicas saudáveis e sua busca de reformas estruturais estão claramente dando resultado e agora estamos projetando un crescimento superior a 4% neste ano'', disse Singh.
Economia global - Os ministros e presidentes de bancos centrais do Grupo dos 7 (grupo das economias mais ricas do mundo), reuniram-se ontem, como fazem normalmente às vésperas da assembléia do Fundo Monetário Internacional, e divulgaram um comunicado no começo da noite. Segundo o grupo, o crescimento econômico é forte, a perspectiva de 2005 é favorável e a inflação continua baixa, mas os preços do petróleo permanecem altos e são um risco.
Os ministros do G-7 pedem que produtores de petróleo garantam oferta suficiente para que os preços diminuam e recomendam que as nações consumidoras aumentem sua eficiência energética. Recomendam também que a Argentina reeestruture sua dívida no menor prazo possível, ''com alta participação dos credores'', e tome outras medidas necessárias para que se complete a terceira revisão de seu acordo com o FMI.
Os ministros saúdam a retomada das negociações globais de comércio, recomendam mais esforços de ajuste aos países em desenvolvimento e reafirmam a intenção de aliviar a dívida dos pobres.

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