‘‘Ajuda financeira, só com a aprovação do pacote econômico’’. Este foi o duro recado do diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, ao governo argentino. Em declarações ao jornal ‘‘La Nación’’, Fischer afirmou que a ‘‘blindagem financeira’’ a ser concedida pelo Fundo à Argentina somente será concretizada se ‘‘todas as medidas do pacote do presidente Fernando De la Rúa forem implementadas como ele disse que seriam feitas’’.
Fischer declarou que o pacote econômico de De la Rúa é ‘‘importante e valente’’, que ‘‘somente se for implementado, junto com a ajuda internacional, fará que o risco de default desapareça de verdade’’.
Segundo Fischer, ‘‘não é suficiente anunciar o pacote. É preciso efetivizá-lo. Isso será importante’’. Referindo-se à demora argentina em aprovar o conjunto de medidas exigidas pelo FMI, o diretor-executivo desse órgão considera que ‘‘as coisas estão lentas na Argentina, e por isso, acho importante que se resolvam o mais rápido possível. Nós não decidimos brecar as negociações. As medidas devem ser aprovadas ou pelo Congresso, ou em parte por decreto. Isso depende de como a Argentina decida. Mas elas devem ser implementadas’’.
Para o economista Carlos Pérez, da Fundação Capital, a declaração de Fischer é mais uma etapa em uma sequência de fatos: ‘‘Primeiro foi o downgrade da Argentina realizado pela Standard & Poor’s, depois a queda da qualificação sobre o país por parte Moody’s’’. Segundo Pérez, isso dá a entender que ‘‘lá no exterior estão pressionando o governo para que resolvam rapidamente estas reformas estruturais, que de alguma forma garantam a solvência fiscal de longo prazo, e que possibilitem a curto prazo o financiamento que viria com o apoio condicionado do Fundo ao pacote’’.
O economista da Fundação Capital considera que com a declaração, Fischer ‘‘está dando umas bofetadas na classe política para que se apressem’’. A ‘‘bofetada’’, afirma Pérez, é ‘‘bem-vinda’’: ‘‘é preciso que a política econômica deixe de ter de uma vez por todas um caráter gradualista e adquira um tom de política econômica enérgica, pois a Argentina precisa de um choque. Precisa de um giro de 180 graus, que recupere a atividade econômica’’.
O ministro da Economia, José Luis Machinea, admitiu que a situação do País ‘‘era grave quando o presidente De la Rúa fez seu pronunciamento dias atrás, e continua sendo grave hoje em dia’’. Machinea afirmou que ‘‘há duas semanas afirmamos que era preciso três coisas para sair da crise: um pacote de medidas, capacidade de aplicar esse conjunto de medidas e uma blindagem financeira’’.
O ministro sustentou que ‘‘A implementação do pacote de medidas está no meio do caminho, o acordo com as províncias foi resolvido, mas ainda ficam coisas por fazer’’. Segundo Machinea, quando a ‘‘blindagem’’ financeira chegar, ‘‘o risco-país da Argentina vai despencar’’.

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