FMI só libera ajuda com pacote aprovado
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sexta-feira, 24 de novembro de 2000
Ariel Palácios Agência Estado De Buenos Aires 
Ajuda financeira, só com a aprovação do pacote econômico. Este foi o duro recado do diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, ao governo argentino. Em declarações ao jornal La Nación, Fischer afirmou que a blindagem financeira a ser concedida pelo Fundo à Argentina somente será concretizada se todas as medidas do pacote do presidente Fernando De la Rúa forem implementadas como ele disse que seriam feitas.
Fischer declarou que o pacote econômico de De la Rúa é importante e valente, que somente se for implementado, junto com a ajuda internacional, fará que o risco de default desapareça de verdade.
Segundo Fischer, não é suficiente anunciar o pacote. É preciso efetivizá-lo. Isso será importante. Referindo-se à demora argentina em aprovar o conjunto de medidas exigidas pelo FMI, o diretor-executivo desse órgão considera que as coisas estão lentas na Argentina, e por isso, acho importante que se resolvam o mais rápido possível. Nós não decidimos brecar as negociações. As medidas devem ser aprovadas ou pelo Congresso, ou em parte por decreto. Isso depende de como a Argentina decida. Mas elas devem ser implementadas.
Para o economista Carlos Pérez, da Fundação Capital, a declaração de Fischer é mais uma etapa em uma sequência de fatos: Primeiro foi o downgrade da Argentina realizado pela Standard & Poors, depois a queda da qualificação sobre o país por parte Moodys. Segundo Pérez, isso dá a entender que lá no exterior estão pressionando o governo para que resolvam rapidamente estas reformas estruturais, que de alguma forma garantam a solvência fiscal de longo prazo, e que possibilitem a curto prazo o financiamento que viria com o apoio condicionado do Fundo ao pacote.
O economista da Fundação Capital considera que com a declaração, Fischer está dando umas bofetadas na classe política para que se apressem. A bofetada, afirma Pérez, é bem-vinda: é preciso que a política econômica deixe de ter de uma vez por todas um caráter gradualista e adquira um tom de política econômica enérgica, pois a Argentina precisa de um choque. Precisa de um giro de 180 graus, que recupere a atividade econômica.
O ministro da Economia, José Luis Machinea, admitiu que a situação do País era grave quando o presidente De la Rúa fez seu pronunciamento dias atrás, e continua sendo grave hoje em dia. Machinea afirmou que há duas semanas afirmamos que era preciso três coisas para sair da crise: um pacote de medidas, capacidade de aplicar esse conjunto de medidas e uma blindagem financeira.
O ministro sustentou que A implementação do pacote de medidas está no meio do caminho, o acordo com as províncias foi resolvido, mas ainda ficam coisas por fazer. Segundo Machinea, quando a blindagem financeira chegar, o risco-país da Argentina vai despencar.


