John Thornhill
Do Financial Times
A primeira página do ‘‘Izvestyia’’, um jornal russo de tendências liberais, capturou nesta semana a ira de muitos políticos russos. ‘‘Armadilha: eles estão punindo a Rússia pelo ataque à Chechênia usando o dinheiro’’, afirma a manchete.
‘‘Enquanto continua a campanha militar na região da Chechênia, o Kremlin não recebe créditos do Fundo Monetário Internacional’’, diz a reportagem.
O ‘‘Izvestiya’’ estava respondendo às recentes declarações do diretor-executivo do FMI, Michel Camdessus. Ele indicou que a próxima parcela – de US$ 640 milhões – de um empréstimo de US$ 4,5 bilhões do Fundo à Rússia poderia ser retardada devido à preocupação política internacional quanto à Tchetchênia.
‘‘Temos que cobrar respostas claras da Rússia. Não podemos continuar com o financiamento se o resto do mundo não o desejar’’, teria dito Camdessus durante uma conferência em Madri.
A reação russa reafirma as dificuldades existentes entre a Rússia e o FMI. Mas o que quer que aconteça com a mais recente parcela do empréstimo, o que fica cada vez mais claro é que a relação entre o Fundo e a Rússia está mudando por um motivo econômico mais fundamental. Tendo emprestado mais de US$ 29 bilhões à Rússia, o FMI agora se transformou de instituição de crédito em agência de cobrança de dívidas.
Augusto Lopez-Claros, ex-representante permanente do FMI em Moscou e agora economista internacional no banco de investimento Lehman Brothers, diz que em termos líquidos o FMI estará tirando dinheiro da Rússia.
‘‘É possível fazer uma análise e descobrir quais são os países que estão adotando a estabilização macroeconômica e as reformas estruturais necessárias para receber ajuda’’, disse um representante do FMI sobre o episódio.

mockup