Agência Estado
Diferentemente do que pretendia o governo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) impôs regras para as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio no segundo semestre. Na revisão do acordo divulgada ontem, embora bem mais livres que as do primeiro semestre, as regras contrariaram o objetivo do governo que era ter liberdade irrestrita.
As novas regras, na prática, têm limites mensais. Mas qualquer captação no exterior, entretanto, será somada aos recursos disponíveis para intervenção. Este limite deverá ficar, no máximo, em US$ 3 bilhões abaixo das metas mensais projetadas para as reservas líquidas. Para chegar às reservas líquidas, segundo explicou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, descontam-se das reservas brutas as dívidas de curto prazo do Banco Central e os recursos emprestados pelo FMI, pelo Banco para Compensações Internacionais (BIS) e pelo Banco do Japão no pacote de emergência de 98.
Para este mês, as reservas líquidas estão projetadas em US$ 23,8 bilhões e chegam a US$ 24,6 bilhões em agosto. Isso significa que feitas as intervenções, o teto mínimo de reservas este mês é de US$ 20,8 bilhões. Em agosto é de US$ 21,6 bilhões.
Supondo que o BC gaste, este mês, os US$ 3 bilhões, não faça qualquer captação e feche o mês no teto mínimo. Até o final de agosto, ele estará obrigado a recompor o limite mínimo daquele mês. Assim, ao longo do próximo mês, o BC teria que somar às reservas a diferença de US$ 800 milhões. ‘‘É provável que mês a mês nós caminhemos acima dos limites’’, afirmou Bier.
Para dezembro, estão projetadas reservas líquidas de US$ 26,3 bilhões. Dessa forma, o limite mínimo das reservas líquidas para fechar o ano é de US$ 23,3 bilhões. Como estão previstas captações para o semestre, entretanto, o dinheiro conseguido lá fora dará mais folga para o governo intervir.
Nas regras do primeiro semestre, quando foi imposto o limite de US$ 8 bilhões para o período de março a junho, o dinheiro da captação também podia ser somado aos recursos da intervenção.
Nas projeções do acordo revisado, a taxa de câmbio para o final do ano passou de R$ 1,70 para R$ 1,75. Segundo Bier, ante a impossibilidade de se calcular uma taxa de câmbio até lá, optou-se por projetar a taxa atual. ‘‘Decidimos tomar a taxa de câmbio vigente’’.
Foi estabelecida uma estimativa mais otimista para o desempenho da economia brasileira. Espera-se uma queda de 1% no Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a estimativa anterior apontava para uma retração entre 3,5% e 4%. Para o ano 2000, consta do acordo um crescimento de 4% no PIB.
Bier disse que o governo espera, na verdade, um desempenho ainda melhor da economia para este ano. ‘‘A estimativa de 1% negativo é conservadora’’, afirmou. O governo espera, ainda, que as taxas de desemprego caiam a partir de julho. Em relação à inflação, a estimativa que consta do acordo com o FMI é de 12% para este ano, medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). A estimativa anterior era de 16,8%.

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