Washington - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Koehler, disse ontem que a instituição está pronta para ajudar a Argentina a vencer a crise. Mas ele rechaçou críticas sobre a responsabilidade do Fundo no colapso da terceira maior economia da América Latina, afirmando que cabe primeiramente ao país aceitar os sacrifícios necessários para superar a crise. Para Koehler, a culpa pela gravíssima situação que a Argentina enfrenta é a própria Argentina, pois, segundo disse, ‘‘na raiz ,(ela) foi feita em casa’’.
Dois economistas do FMI, Thomas Reichman e John Thorton, chegaram no fim de semana a Buenos Aires para o que o porta-voz da instituição para a América Latina, Francisco Baker, descreveu como ‘‘uma viagem de três dias para coletar informações e ter um primeiro contato com as autoridades e não uma missão de negociação’’.
Oficialmente, nem o FMI nem o Tesouro comentaram a decisão da Argentina de deixar o falido sistema de paridade cambial com o dólar pelo regime de câmbio duplo. Mas fontes do Fundo e pessoas familiarizadas com a posição dos Estados Unidos deixaram clara a desaprovação diante da adoção de uma política que já fracassou em vários países - mais recentemente, no Brasil - e não faz parte do receituário da instituição.
Fontes bem informadas disseram que, em seus primeiros contatos com o novo ministro da Economia da Argentina, Jorge Lenicov, o subsecretário internacional do Tesouro, John Taylor, e a vice-diretora gerente do FMI, Anne Kruegger, o desencorajaram a vir a Washington antes de ter uma proposta de orçamento aprovada pelo Congresso e um plano coerente para enfrentar a crise.
No domingo, o principal conselheiro econômico da Casa Branca, Lawrence Lindsey, antecipou a crítica de Koehler sobre a natureza da crise argentina. ‘‘Os problemas fundamentais da Argentina têm a ver com a maneira como os argentinos administram as coisas’’, disse ele, num programa de televisão. ‘‘Se você é um governo estadual da Argentina, pode gastar dinheiro e pedir ao governo federal para pagar a conta; bem, nós sabemos como essas coisas terminam e foi exatamente o que aconteceu: eles acumularam dívida excessivas.’’

mockup