FMI rebaixa previsão de crescimento
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terça-feira, 22 de dezembro de 1998
France Presse 
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu ontem a previsão de crescimento mundial para 1999; o percentual agora é de 2,2%, ao contrário dos 2,5% previstos há três meses, devido a recessões mais severas que o previsto nas economias do Brasil, do Japão e da Rússia. A revisão para baixo da expansão mundial é modesta, segundo o novo informe do FMI sobre as Perspectivas Econômicas Mundiais publicado ontem.
Reflete principalmente uma contração mais severa do que o esperado nas economias do Japão, em recessão há um ano (-0,5% en 1999 contra +0,5% previsto), da Rússia (-8,3% contra -6%) e do Brasil (-3% contra +2%).
Mas o FMI, que em outubro havia brandido o espectro de uma recessão mundial, vê agora aspectos tranquilizadores no relativo retorno à calma dos mercados financeiros. O FMI cita para isso a eficácia das políticas postas em prática: redução das taxas de juros nos Estados Unidos e na Europa, compromisso de austeridade orçamentária no Brasil, reformas em ascensão nos países asiáticos. Isto resultou numa recente alta dos papéis negociados em Bolsa, evidente sobretudo em Wall Street.
Os preços das ações atingiram de novo um nível que poderia não ser sustentável, principalmente se os resultados financeiros das empresas fossem decepcionantes (...) Existe um potencial de correção bursátil, advertiu o FMI. Entre os aspectos mais alentadores figura a perspectiva de um crescimento sólido e contínuo, apesar de modestas revisões, nos Estados Unidos e na zona euro. A economia norte-americana deverá crescer 1,8% em 1999; o percentual previsto era de 2%.
Globalmente, o crescimento dos países ricos, do G-7, está programado em 1,5% em 1999 (contra 1,9% previsto e 2,1% em 1998). O dos países em desenvolvimento permanece em bom caminho (3,5% contra 3,6%) sobretudo graças ao vigor da China que terá um crescimento maior que o esperado (6,6% contra 5,5%).
As perspectivas do Japão, segunda economia mundial, se ensombreceram em função do estancamento contínuo da demanda interna relacionada com as dificuldades do setor financeiro e às consequências da cotação do iene sobre as exportações. As medidas de reativação aprovadas pelo governo japonês só compensam em parte esta deterioração, destacou o FMI.
Nos países asiáticos afetados pela crise, é urgente deter o declive das economias. Os países do Asean-4 (Indonesia, Malásia, Filipinas, Tailandia) registrarão -1,4% em 1999 depois de terem conhecido uma contração do PIB de -10,6% este ano.
Essos fluxos para os países emergentes devem começar novamente apesar da advertência para os riscos dos investidores, mas em volume menos otimistas: 90 bilhões de dólares em 1999 contra 130 bilhões previstos.
Para a Rússia, a opinião do FMI não muda, mas tem um tom mais seco, já que a Rússia espera desembolsos de empréstimos por parte da instituição. Para reduzir o déficit, devem ser adotadas medidas o mais rápido possível para aumentar as receitas do Estado.
Para o Brasil, que assinou um programa de ajuda internacional de 41 bilhões e 500 milhões de dólares, o Fundo não havia antecipado uma recessão (-1% em 1999); há três meses ainda previa um PIB brasileiro em crescimento de 2%.
O informe do FMI, que fala amplamente sobre o contrato brasileiro, os compromissos, os objetivos, menciona muito superficialmente um plano global de redução dos preços das matérias-primas. Se a debilidade dos preços do petróleo e das matérias-primas prosseguir, isto vai pesar na receita de muitos países emergentes, limita-se a dizer o informe, que se baseia num barril de petróleo a 13,39 dólares em 1998 e de 14,51 dólares em 1999.


