O Fundo Monetário Internacional (FMI) reafirmou sua confiança ontem no programa econômico do Brasil, embora indicasse que, após a desvalorização do real, reexaminará com o governo de Fernando Henrique Cardoso certas disposições do programa assinado ano passado com o País.
Em um comunicado de tom ponderado, Michel Camdessus, diretor do FMI, acolheu ‘‘com satisfação’’ o renovado compromisso do Brasil de aplicar o programa de ajuste orçamentário assinado com o Fundo. ‘‘As autoridades brasileiras comunicaram ao FMI as modificações de seu sistema cambial. Reafirmaram ao mesmo tempo ao FMI sua sólida determinação de pôr em marcha, o mais rápido e com a cooperação do congresso, o programa completo de ajuste orçamentário anunciado em novembro de 1998’’, disse Camdessus.
‘‘Dada a importância crucial de conseguir uma rápida estabilização das taxas de câmbio brasileiras e dos mercados financeiros, recebo com satisfação essas garantias’’, acrescentou Camdessus.
Em novembro passado, o Brasil tinha anunciado um programa de ajuste apoiado pelo FMI e pela comunidade internacional, que lhe deram em troca uma ajuda de 41,5 bilhões de dólares, dos quais 18 bilhões do FMI, 9 bilhões do Banco Mundial e BID e 14,5 bilhões de países amigos. Nove bilhões desse pacote de ajuda já foram entregues ao Brasil.
Camdessus admitiu que o FMI vai discutir nos próximos dias com as autoridades brasileiras ‘‘as consequências dos últimos acontecimentos sobre diferentes elementos da política econômica’’ contida no programa assinado com o FMI.
Firmado em dezembro passado, o programa estipulava manter a política cambial apoiando-se ‘‘numa política financeira firme’’. No entanto, o novo presidente do Banco Central, Francisco Lopes, deu a entender que a desvalorização visava baixar as taxas de juros e afirmou que não havia mudança de rumo na política cambial.
O Brasil se encontra na mira dos investidores desde a crise russa de agosto passado e teve que aumentar sensivelmente suas taxas de juros (36% atualmente) para apoiar o real e evitar uma evaporação de suas reservas.
Apesar de a maioria dos economistas pensarem atualmente que a desvalorização era necessária, poucos estimam que as taxas poderão baixar rapidamente dada a falta de confiança e a volatilidade dos mercados.

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