FMI quer que províncias ajustem US$ 1,75 bilhão
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sexta-feira, 08 de março de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que está avaliando a situação econômica argentina indicou à equipe econômica do governo do presidente Eduardo Duhalde a necessidade de que as províncias argentinas reduzam em US$ 1,75 bilhão seus déficits fiscais. Desta forma, o déficit consolidado total das províncias, atualmente em US$ 2,5 bilhões, teria que cair para US$ 700 milhões.
Além do déficit, a missão disparou contra as províncias em outras áreas. Uma delas é a existência de uma miríade de bônus emitidos pelos governos provínciais para o pagamento de salários de funcionários públicos e fornecedores do Estado. No total, circulam bônus com valor equivalente a US$ 2,1 bilhões.
Dentro da equipe econômica começa a existir preocupação pela insistência do FMI em reduzir os gastos públicos nas províncias. O problema é que as empobrecidas economias do interior, em muitos casos sobrevive graças aos empregos públicos.
O ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, afirmou que o acordo com o FMI poderia ser assinado em fins de março ou início de abril. No entanto, admitiu que as negociações com o Fundo, no momento, estão muito duras.
Remes Lenicov explicou que entre o governo argentino e a missão do Fundo, ainda não se falou sobre a quantia da ajuda financeira.
Além das reuniões com a equipe econômica, a missão do Fundo, comandada pelo economista indiano Anoop Singh, reuniu-se com lideranças parlamentares. O deputado Horacio Pernasetti, uma das lideranças da UCR, o principal partido da oposição, disse a Singh que a Argentina ainda corria riscos de uma crise institucional.
Enquanto o governo enfrenta duras negociações com a missão do FMI, na frente de batalha interna o presidente Eduardo Duhalde confronta-se com intensos rumores de uma iminente modificação no gabinete de ministros.
Como costuma fazer, Duhalde mostrou-se otimista ontem em relação ao futuro econômico do país que administra. Em um encontro com representantes sindicais de trabalhadores agrícolas, Duhalde criticou os pessimistas e sustentou que no dia 9 de julho, data nacional argentina, o país comemorará, além da independência, o fim da recessão.
No entanto, milhares de argentinos não estão tão otimistas quanto o presidente, e realizam diariamente panelaços contra a política econômica do governo e o corralito, como é denominado o semicongelamento de depósitos bancários.


