A adoção do câmbio livre na Argentina o mais rápido possível foi um dos temas que centralizaram a reunião que o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, manteve com os representantes do FMI que desembarcaram no país ontem de manhã.
Acabar com o câmbio duplo (um livre e outro fixo) que vigora na Argentina ontem é uma das condições impostas pelo Fundo Monetário Internacional para fechar um novo acordo de socorro.
Analistas do mercado argentino estimam que em duas semanas o câmbio possa estar livre. Para isso, o governo tem antes que pesificar toda a economia. É esperado que a pesificação total faça parte do plano econômico do presidente Eduardo Duhalde a ser anunciado no sábado. O tema também foi discutido ontem pela equipe econômica com Claudio Loser, chefe de departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, e Tomás Reichman, responsável pelo ‘‘caso argentino’’, que chefiam a missão que está no país.
A dúvida é como o governo passará a agir no mercado de câmbio após adotar a livre flutuação, que seria ‘‘suja’’, como no Brasil. Isso significa que o governo intervém sempre que acha necessário evitar variações de cotação mais bruscas. As intervenções feitas pelo BC argentino nos últimos 12 dias consumiram US$ 400 milhões das reservas internacionais.
‘‘O governo tem de tomar cuidado com a política que adotará em relação ao câmbio após liberá-lo. Se continuar intervindo todos os dias, as reservas evaporarão rapidamente. Sem o parâmetro do câmbio oficial, segurar a cotação do dólar vai ser ainda mais difícil’’, afirma o analista da Delphos Investment, Leonardo Chialva. ‘‘A credibilidade na política econômica do governo ainda é muito frágil. Com tantas incertezas, empresas e pessoas físicas continuarão buscando refúgio no dólar.’’
O presidente do Banco Central, Mario Blejer, afirmou que a autoridade monetária continuará, como fez até o momento, buscando que ‘‘o peso não tenha oscilações muito bruscas diante do dólar’’, ou seja, intervindo no câmbio.
O vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, afirmou que parte dos recursos que o país conseguir da ajuda do Fundo servirá para fortalecer as reservas e permitir a liberação do câmbio.
O governo ainda não apresentou a data em que o câmbio começará a flutuar livremente. Há duas semanas, Duhalde dissera que seria no segundo semestre.
Nas três semanas em que há um câmbio livre no mercado argentino, o dólar subiu 19% diante do peso. Ontem, a moeda dos EUA fechou em 1,90 peso, preço 36% superior ao do câmbio oficial, que é de 1,40 peso por dólar.

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