FMI prevê queda da inflação no Brasil
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quinta-feira, 02 de maio de 2002
Agência Folha 
Rio de Janeiro - O chefe da missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Brasil, Lorenzo Perez, afirmou ontem que houve alguma melhora na economia brasileira desde sua última visita ao país, em fevereiro. Ele previu ainda que a inflação vai começar a cair. Questionado quando os índices de preços iniciarão uma trajetória de queda, Perez se limitou a dizer que será na segunda metade deste ano, sem especificar o mês.
O técnico do FMI não quis falar sobre o cumprimento da meta de inflação do Brasil, fixada no acordo com o Fundo em 3,5% para este ano [com intervalo de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo]. Pelos dados do IBGE, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulava, até março, alta de 7,75% nos últimos 12 meses. Portanto, se o ano acabasse em março, último mês cujo índice foi divulgado, a inflação ficaria acima do limite superior da meta, de 5,5%.
Perez teve ontem seu último encontro com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, antes de voltar para Washington (sede do FMI). Ao sair do encontro, o técnico disse que o balanço de pagamentos está em linha com o programa [o acordo entre o Fundo e o governo brasileiro]. O balanço de pagamentos é uma espécie de conta que registra todas as transações financeiras e econômicas realizadas por um país com outros países. Inclui, entre outros itens, as balanças comercias e de serviços e os movimentos de entrada e saída de capitais.
Perez não disse quais itens do balanço estão dentro das previsões. Em sua última visita ao Brasil, a projeção para a balança comercial em 2002 foi revista para baixo, em até US$ 2 bilhões, por causa da crise argentina. Perez estimou, na época, um saldo entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões neste ano.
Ontem, Perez informou que mais detalhes do resultado da visita técnica sobre economia brasileira só serão conhecidos após uma reunião no dia 19 de junho, quando o relatório preparado por ele e sua equipe será apresentado à direção do Fundo. Essa foi a terceira visita técnica do Fundo desde o fechamento do atual acordo, no ano passado. A missão da equipe é preparar um relatório que servirá como base para a terceira revisão do programa acertado com o FMI.
Para preparar o documento, os técnicos analisam em vistas trimestrais as políticas econômica e monetária do país, a partir dos dados fornecidos pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda. Pelo acordo, que vigorará até o fim deste ano, o País pode ter disponível até US$ 15,6 bilhões em recursos do Fundo.


