O ministro Pedro Malan (Fazenda) e o vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, anunciaram ontem um novo aperto fiscal para que o governo brasileiro cumpra as novas metas que estão sendo negociadas com o Fundo Monetário Internacional. Ou seja, o governo terá de baixar mais medidas fiscais em breve.
As novas metas vão exigir mais economia para pagar os juros da dívida pública e uma taxa de inflação, em dezembro, inferior a 10% anuais. Isso indica que a inflação acumulada no ano poderá superar 10% - a previsão anterior do governo era inflação de 2%. O importante é garantir que no final do ano a inflação provocada pela desvalorização cambial esteja sob controle.
Falando em inglês, Fischer, antes de embarcar de volta para Washington, afirmou que ‘‘certamente serão necessárias outras medidas fiscais’’, mas não disse quais seriam.
A equipe econômica se comprometeu a elevar o superátiv primário neste ano de 2,6% do PIB para algo em torno de 3% e 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto), manter os juros altos para evitar a volta da inflação e ampliar os esforço de privatização, incluindo os setores energético e financeiro. O dirigente do FMI reafirmou também o que já vem sendo defendido por Malan desde que houve a adoção do câmbio flutuante no último dia 15 de janeiro: ‘‘O ponto essencial neste momento é conter a subida de preços, a inflação’’. E isso será feito por meio de medidas nas áreas monetária e fiscal, disse Malan.
Na prática, isso significa que o governo deverá manter as taxas de juros altas - hoje estão em 39% ao ano. Com o câmbio flutuante, ‘‘a política monetária terá de desempenhar um papel central na obtenção de baixos níveis de inflação’’, diz a nota conjunta do Ministério da Fazenda e do FMI divulgada ontem.
Fischer, que é a segunda pessoa mais importante na hierarquia do FMI, veio ao Brasil somente para acelerar as discussões para revisão do acordo assinado no final do passado e que permitiu ao país obter uma ajuda financeira de US$ 41,5 bilhões, dos quais foram liberados somente US$ 9,3 bilhões até agora.
Com a mudança na política cambial, que desvalorizou o real em relação ao dólar e elevou o valor em reais da dívida brasileira vinculada ao câmbio, o FMI exigiu um superávit primário (receitas menos despesas, excluindo gastos com juros da dívida) maior que o negociado inicialmente. O acordo previa para este ano um superávit primário de 2,6% do PIB.
A meta estava dividida da seguinte maneira: 1,8% para o governo federal, 0,4% para Estados e municípios e 0,4% para empresas estatais. Agora, disse Malan, será fixado um superávit primário entre 3% e 3,5% do PIB. Assim como previsto no acordo inicial, o superávit primário do ano 2000 e do ano seguinte deverá ser superior ao deste ano. Pelo termos originais do acordo, o superávit seria de 2,8% no ano 2000 e de 3% no ano 2001.José Paulo Lacerda/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Condição nº 1Stanley Fischer, do FMI, chega ao Ministério da Fazenda: combate à inflação é a prioridadeAgência Folha

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