FMI prevê impacto na gestão de gastos
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
Agência Estado 
Nova York O início de um processo de impeachment sob acusação de descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal terá um "enorme impacto" sobre a gestão dos gastos públicos no Brasil e em toda a região, avaliou ontem o representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), Otaviano Canuto. Em sua opinião, as investigações de corrupção vão melhorar a percepção do Estado de Direito no Brasil, elevar a competição nos segmentos econômicos que fazem negócios com o Estado e aumentar a eficiência do gastos públicos
Opinião semelhante foi manifestada pelo economista José Márcio Camargo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Para ele, é "incrível" que a presidente Dilma Rousseff esteja sendo julgada por descumprir leis fiscais, o que criará precedentes para futuros governantes em termos de responsabilidade na gestão dos recursos públicos.
Canuto e Camargo participaram na manhã de ontem de seminário sobre o Brasil organizado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA em Nova York. Corrigir o desequilíbrio das contas públicas será o principal desafio do País no período posterior à votação do impeachment, seja qual for o resultado da decisão do Senado sobre o futuro de Dilma, avaliaram os economistas que falaram durante o evento.
Para eles, é urgente a aprovação de reformas estruturais que limitem os gastos públicos, reduzam a rigidez do Orçamento e contenham os desequilíbrios na Previdência. A implementação dessa agenda é dificultada pela incerteza política, que não será necessariamente resolvida com a aprovação do impeachment no Senado.
"A situação política coloca a agenda econômica em segundo plano", afirmou Manoel de Castro Pires, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. A uma plateia de investidores e analistas de mercado, Pires disse que a prioridade do governo é retomar o crescimento e equilibrar as contas fiscais.


