Washington – A pedido do governo argentino, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou a prorrogação por um ano do prazo de pagamento de um crédito de US$ 934 milhões, que vence hoje. O empréstimo foi concedido em janeiro do ano passado como parte de um pacote financeiro montado numa frustrada operação para revitalizar a economia argentina. Essa parcela do dinheiro foi concedida sob o Programa de Suplementação de Reservas, que prevê o repagamento num prazo inicial de um ano, prorrogável por até 18 meses. Os
juros são de 3% acima do custo dos recursos regulares do FMI, ou ‘‘stand-by’’, atualmente em pouco mais de 3% ao ano. Trata-se do dinheiro mais caro do Fundo. Com a extensão do prazo, a Argentina pagará um adicional de 0,5% sobre o saldo devedor a partir de hoje, mais 0,5% a partir de julho.
O custo adicional da opção de ampliar o prazo máximo do vencimento dependerá da velocidade com que a Argentina pagar a parte relativa aos juros ao longo dos próximos doze meses.
O entendimento entre o FMI e a Argentina sobre a extensão do prazo de pagamento dessa parte da dívida do país com a instituição é a primeira confirmação concreta da disposição do governo Duhalde de preservar suas relações com a instituição e removeu um importante obstáculo potencial para o aprofundamento do diálogo de Buenos Aires com as instituições miltilaterais em Washington. No momento mais agudo da crise, entre o Natal e o Ano Novo, chegou-se a temer que o país incluísse os credores oficiais no calote da dívida externa. Isto nunca aconteceu com um país do porte econômico da Argentina.
O ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, reiterou esta semana que a Argentina honrará seus compromissos com essas instituições. Além do FMI, elas incluem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial (Bird). Os pagamentos da Argentina às três agências multilaterais representarão perto de 25% do total do serviço da dívida pública externa do país este ano e em 2003. No ano passado, essa proproção foi de 10%. O governo já anunciou a suspensão dos pagamentos aos credores privados.
Antes da prorrogação do pagamento ao FMI, a Argentina tinha um total de US$ 6 bilhões em juros e principal a pagar à instituição em 2002. O débito com o BID é de aproximadamente US$ 2,2 bilhões. Buenos Aires tem um montante semelhante a saldar este ano com o Bird. Se o governo Duhalde adotar um programa econômico que satisfaça as condições já publicamente apresentadas pelo FMI, os novos créditos que obtiver do próprio Fundo, do BID e do Bird, como parte de um novo acordo, serão destinados, em primeiro lugar, ao pagamento desses débitos da Argentina com as três instituições.

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