O Fundo Monetário Internacional (FMI) decidiu dar um ultimato ao governo argentino para que retire do Orçamento de 2001 as alterações feitas durante votação do Senado que ameaçam comprometer metas de déficit fiscal. A aprovação do Orçamento era a condição para que o Fundo concluísse as negociações de um pacote de socorro à Argentina, estimado em até US$ 31 bilhões.
O Partido Justicialista (de oposição) atendeu aos reclamos do governo, votando e aprovando o documento ontem. Com o Orçamento aprovado, o empréstimo seria anunciado até terça, segundo o ministro da Economia, José Luis Machinea.
Mas o que causou a reação da missão do Fundo – que há duas semanas está em Buenos Aires, analisando contas públicas e definindo termos do acordo – foram justamente mudanças feitas pelos senadores ao votar em separado os artigos do projeto. Com maioria ampla, os justicialistas introduziram um adendo ao artigo que prevê corte de 12% nos salários dos servidores públicos que recebam mais de US$ 1.000 mensais. Se o artigo fosse simplesmente eliminado, resultaria em despesa de US$ 600 milhões no próximo ano. A manobra dos justicialistas determina que, se o governo obtiver melhor arrecadação ou conseguir reduzir gastos, terá de devolver os descontos ao funcionalismo.
Todas as mudanças, excetuando-se a do corte dos salários, resultariam em uma ampliação entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões no Orçamento (cujo valor total é de US$ 51,2 bilhões).

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