Buenos Aires - ''Comete o pecado de excessivo otimismo''. Com esta expressão, a vice-diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, definiu o esboço da carta de intenções encaminhado pelo governo argentino a esse organismo financeiro na última sexta-feira.
No esboço, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, se comprometia a conseguir um crescimento do PIB de 3% para o ano 2003, além de uma inflação de 4%. As metas do ano que vem são drasticamente mais otimistas que as previstas para este ano pelo próprio Lavagna, como uma queda de 11% no PIB e uma inflação de 64%.
As céticas declarações de Krueger foram divulgadas pelo jornal ''El Mundo'', de Madri, que teve acesso a um memorando secreto do FMI. Os comentários da vice-diretora do Fundo, chamada ironicamente em Buenos Aires como ''a irmã mais brava'' de Freddy Krueger (o personagem dos filmes de terror 'A Hora do Pesadelo'), tiveram o impacto de um balde de água fria nas expectativas do governo do presidente Eduardo Duhalde de conseguir um acordo com o organismo financeiro até meados de setembro.
O governo argentino possui pressa para o fechamento de um acordo com o Fundo, já que em meados de setembro o país teria que enfrentar o pagamento do vencimento de uma dívida com o FMI, de US$ 2,7 bilhões.
Mas, com panorama mais uma vez desfavorável para o país, especula-se em Buenos Aires em um cenário financeiro no qual o governo Duhalde teria duas opções: recorrer às esquálidas reservas internacionais do Banco Central, atualmente na faixa de US$ 9 bilhões, ou suspender o pagamento da dívida com os organismos financeiros.

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