Buenos Aires O Fundo Monetário Internacional (FMI) ''está pronto'' para trabalhar com o novo governo argentino, afirmou seu titular Horst Koehler em carta enviada ao presidente Adolfo Rodríguez Saá, que foi difundida oficialmente ontem em Buenos Aires.
A nota de Koehler a Rodríguez Saá, divulgada à imprensa pelo secretário-geral da Presidência, Luis Lusquios, diz que o FMI ''está pronto para trabalhar junto com seu governo para desenvolver uma solução sustentável aos problemas econômicos argentinos''.
O FMI manifestou também seu ''profundo pesar pelos trágicos eventos da semana anterior'', em referência à revolta social que deixou um saldo de 30 mortos. Segundo Lusquios, a carta ''marca o reinício do diálogo entre o FMI e a República Argentina'', que estava praticamente interrompido desde que o organismo negou, em plena crise, um pagamento ao governo do então presidente Fernando de la Rúa de US$ 1,264 bilhão, alegando o não cumprimento das pautas comprometidas.
O comunicado do FMI ''inicia a abertura do diálogo a partir da decisão soberana que a Argentina adotou de suspender o pagamento da dívida pública'', de US$ 132 bilhões de dólares (46% do PIB), afirmou o funcionário. Fala-se que a dívida pode chegar a US$ 147 bilhões.
Rodríguez Saá anunciou no último domingo a suspensão do pagamento da dívida pública da Argentina. Lusquios declarou que o Fundo ''não impõe absolutamente nenhuma condição'' para o diálogo com a Argentina e indicou que o governo peronista pode iniciar negociações com o FMI ''no momento correspondente e que considerar oportuno, que não será antes de janeiro''. Mais cedo, o chanceler argentino José María Vernet havia declarado que o Governo tentará obter o apoio de outros países.

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