FMI manifesta preocupação com emergentes
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terça-feira, 06 de abril de 2004
Agência Estado 
Londres - O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou ontem o relatório semestral ''Estabilidade Financeira Global'' e manifestou preocupação com uma possível correção nos preços das dívidas dos países emergentes diante de uma alta dos juros nos Estados Unidos e a consequente redução do apetite por risco entre os investidores.
Apesar de ressaltar a diminuição da vulnerabilidade financeira mundial - inclusive de vários países emergentes - desde o último relatório, produzido em setembro do ano passado passado, o organismo multilateral alertou que a queda dos spreads das dívidas de vários emergentes foi estimulada principalmente pela busca de retornos mais elevados pelos investidores, e não pela melhora dos fundamento econômicos em vár ios desses países.
''Trabalhos empíricos recentes parecem reforçar a visão generalizada do mercado de que a liquidez e maior apetite por risco se tornaram as influências mais importantes sobre os spreads do que os fundamentos na alta da dívida emergente i niciada no final de 2002'', disse o Fundo.
''Os mercados emergentes devem aproveitar enquanto as coisas vão bem, devem usar essa oportunidade para reduzir as suas vulnerabilidades e promover reformas'', alertou o diretor do Departamento de Mercados de Capitais Internacionais do Fundo, Gerd Hausler, que apresentou o relatório em entrevista coletiva concedida em Londres.
Segundo ele, uma reversão da liquidez para os emergentes teria uma impacto maior naqueles países com dívidas denominadas em dólares. Hausler evitou citar países específicos, mas ao notar a presença da reportagem da Agência Estado, único órgão de comunicação brasileiro presente na coletiva, disse: ''O Brasil, que por exemplo tem um representante aqui, está trabalhando muito bem para reduzir a sua dívida atrelada ao dólar'', disse Hausler.
Embora venha sendo elogiado pelas autoridades do Fundo Monetário Internacional, os estudos do organismo multilateral divulgados ontem mostram que há um descompasso entre os fundamentos econômicos do Brasil e os spreads cobrados sobre a sua dívida.
Segundo o FMI, tomando-se como base as classificações de risco da dívida brasileira, os spreads dos títulos soberanos do País estavam no dia 3 de fevereiro passado 250 pontos-base abaixo do nível compatível com avaliação dos seus fundamentos.
Ou seja, no caso de uma reversão da sorte dos emergentes causada pela alta de juros nos Estados Unidos ou por exemplo um choque externo, esses 250 pontos poderiam ser eventualmente adicionados aos spreads do país se os investidores basearem as suas decisões apenas nos fundamentos da economia brasileira avaliados pelas agências de risco.
O vice-diretor do Departamento de Mercados de Capitais Internacionais, Hung Tran, explicou à Agência Estado que o levantamento é uma apenas uma projeção, mas serve como indicador do desvio dos spreads do país provocado pela forte liquidez nos mercados internacionais.
O Brasil, vale ressaltar, não é o único emergente cujos fundamentos não justificariam os atuais spreads sobre a dívida. Dos 14 países avaliados pelo Fundo, apenas a Polônia tem uma classificação de risco que justificaria spreads menores do que os atuais.
Os piores casos e que provavelmente seriam mais abalados por uma correção nos mercados são o Equador, cuja distância entre os spreads atuais e os fundamentos é de cerca de 1.100 pontos-base, e a Venezuela, com uma diferença de cerca de 700 pontos-base.


