FMI libera US$ 30 bilhões ao Brasil
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sexta-feira, 06 de setembro de 2002
Agência Estado 
Washington A diretoria-executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou ontem o novo acordo de política econômica negociado com o governo brasileiro para preservar a estabilidade durante a transição de governo. O FMI autorizou o desembolso imediato da primeira parcela de cerca de US$ 3 bilhões do crédito de US$ 30,4 bilhões que a instituição concedeu ao País. Uma segunda parcela de US$ 3 bilhões deverá ser autorizada ainda no atual governo. Mas o restante do empréstimo só será liberado em quatro parcelas se a administração do próximo presidente confirmar o rumo da atual política econômica e honrar os compromissos fiscais negociados pela atual equipe econômica.
Durante a discussão sobre o acordo entre os 24 diretores-executivos do FMI, vários deles reiteraram o apoio dos países que representam à nova ajuda a maior que o FMI já concedeu numa única operação e a terceira que faz ao País em menos de quatro anos. Eles justificaram sua posição chamando a atenção para o fato de o País ter demonstrado sua capacidade de respeitar os compromissos assumidos com a comunidade internacional, via Fundo. Mas alguns enfatizaram, também, a necessidade de a administração do FMI monitorar de perto o cumprimento do acordo nos meses que restam do atual governo.
Essa preocupação deriva, em parte, da experiência do fim do governo Menem, na Argentina, que foi marcada pelo descalabro fiscal - que o FMI, na época, escolheu ignorar, por cálculo político. Um alto funcionário do Ministério da Fazenda disse ontem à Agência Estado que a preocupação, embora compreensível, não é procedente no caso do Brasil. Isso porque o governo trabalha com um orçamento aprovado, o que limita muito a margem para o chamado ''uso da máquina'' oficial para privilegiar os candidatos da sua preferências em campannhas eleitorais.
Os diretores falaram também sobre a importância da aceitação do acordo pelos candidatos à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, que tem como premissa básica a preservação da estabilidade dos preços e de rigor fiscal da política econômica do atual governo. No início da semana, a equipe econômica admitiu que o acordo exigirá um pequeno esforço fiscal adicional durante os quatro meses finais do atual governo de 3,88% do Produto Interno Bruto (PIB), em lugar dos 3,75% anteriomente anunciados.


