O FMI completou ontem a terceira revisão do acordo firmado com a Argentina, o que significa a liberação de um novo desembolso, de US$ 1,2 bilhão, para o país. A parcela estava barrada devido ao fato de a Argentina não ter cumprido as metas acertadas com o Fundo para o déficit fiscal no primeiro trimestre. O total do pacote de ajuda é de US$ 13,4 bilhões. A nova Carta de Intenções prevê que o crescimento do país, este ano, ficará entre 2% e 2,5% (a anterior previa crescimento em torno dos 2,5%). Em 2001, o déficit fiscal não deverá ultrapassar US$ 6,5 bilhões.
A aprovação do novo programa econômico coincidiu com a apresentação formal à SEC, comissão de valores mobiliários americana, da intenção argentina de trocar títulos de sua dívida externa, de mais de US$ 20 bilhões, por outros com vencimento em prazo maior, como forma de alongar o perfil de sua dívida. Os documentos não especificam taxas de juros nem outros detalhes, indicando que os prazos de vencimento dos títulos serão definidos no momento da venda.
Críticas ‘‘A falta de apoio político aumenta os riscos econômicos da Argentina.’’ Com estas palavras um documento confidencial do Fundo Monetário Internacional (FMI), aprovado pelo diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental, Claudio Loser, e revelado nesse fim de semana pelo jornal portenho Clarín, critica o governo argentino e o acusa de ter ‘‘subestimado a importância da execução firme de suas políticas’’.
O documento também critica o governo por ter decidido alterar a conversibilidade econômica, que estabeleceu a paridade um a um entre o dólar e o peso, com a inclusão do euro em um futuro ainda não definido. ‘‘Isso pode ter méritos a longo prazo, mas o lançamento dessa proposta neste momento de grandes incertezas ressuscitou a preocupação que estava adormecida sobre a taxa de câmbio e acabou agindo contra o objetivo de estimular a confiança na economia’’, sustenta o relatório. O documento do FMI também define a luta do governo contra a evasão fiscal como ‘‘fraca’’.
Além disso, os técnicos recomendam à diretoria que apóie o governo do presidente Fernando de la Rúa, ‘‘tendo em vista a importância da estabilidade da Argentina para a região e para os mercados emergentes em geral’’.

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