FMI fala em ajuda, mas exige novos ajustes
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sexta-feira, 15 de março de 2002
Agência Folha 
Buenos Aires O FMI (Fundo Monetário Internacional) deixou as portas abertas para a assinatura de um acordo de socorro financeiro com a Argentina, mas exige que o governo realize algumas medidas econômicas adicionais ao que foi feito até o momento.
Depois de dez dias, a missão de técnicos do Fundo, liderada pelo economista indiano Anoop Singh, deixou a Argentina ontem. No comunicado emitido pelo FMI, a aprovação do Orçamento e o pacto fiscal entre o governo e as Províncias foram apontados como pontos importantes, mas ainda dependentes de ajustes. Nas próximas semanas, a missão continuará os trabalhos, preparando as negociações de um novo programa, que terá o apoio do FMI, diz o comunicado.
Enquanto isso, o FMI espera que o governo argentino realize mudanças que ajudem a trazer de volta a confiança dos investidores e permita a liberação dos depósitos bancários ainda retidos pelo curralzinho. O déficit fiscal projetado para este ano e os bônus provinciais que têm a função de moeda deverão ser reavaliados pelo governo.
Retomar a negociação com os credores externos também é uma das exigências do Fundo para a conclusão do esperado acordo. Nesse sentido, o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, já enviou uma carta aos principais credores externos para o diálogo ser retomado. A Argentina declarou o calote de sua dívida externa no fim do ano passado.
O FMI espera que o governo altere a chamada Lei de Falências, aprovada pelo Congresso neste ano e que prevê a inviabilidade da decretação de falência de empresas por 180 dias. Mudanças na Lei de Subversão Econômica também são esperadas pelo Fundo.
Ainda sem poder contar com dinheiro do Fundo, o presidente argentino, Eduardo Duhalde, preparou uma carta para enviar aos governantes do G-7 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo), mostrando os pontos de exigências do Fundo já cumpridos pelo país.
Como as negociações com o Fundo entram agora na reta decisiva, Duhalde espera ter o máximo de apoio possível para conseguir a liberação do pacote de socorro financeiro o quanto antes.
O governo trabalha com a expectativa de receber do Fundo ao menos os US$ 9 bilhões que ficaram travados do último acordo, firmado no ano passado, com o organismo de crédito. No começo do governo Duhalde, a equipe econômica falava em negociar um pacote de socorro acima dos US$ 20 bilhões.
Ontem milhares de grevistas vindos de várias partes da Argentina marcharam no centro de Buenos Aires protestando contra as medidas econômicas adotadas pelo governo. Os manifestantes pediam trabalho e comida.


