FMI exige aumento de 30% nas tarifas públicas da Argentina
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sábado, 23 de novembro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, disse que as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um novo acordo de ajuda financeira emperraram depois que a instituição exigiu um aumento de até 30% nas tarifas de serviços públicos.
Duhalde, que vem tentando selar um novo acordo com o Fundo desde que tomou posse em janeiro, insistiu ao representante do FMI que não poderá elevar as tarifas de serviços de energia elétrica, gás e telefone no momento em que o país está afundado na sua mais severa crise econômica. ''Simpesmente não é possível neste momento na Argentina. O FMI continua insistindo sobre pontos que simplesmente não são viáveis.''
Contudo, Duhalde disse que continuará a trabalhar com objetivo de assegurar um acordo com o FMI. ''Nós continuaremos trabalhando até haver um acordo. Mas nós também esperamos que o FMI veja nosso ponto de vista. Afinal de contas isso é uma negociação'', disse o presidente. Duhalde reclamou ainda que a ''Argentina não pode ser o único país isolado do mundo'', referindo-se à falta de acordo com o FMI.
De acordo com ele, ''o acordo vai chegar, mas se estamos discutindo durante tanto tempo é porque a Argentina não firma mais acordos a livro fechado'', explicando que seu governo não quer assumir um acordo que não possa cumprir. Na esperança de cumprir outras demandas do FMI, o Senado ratificou ontem à noite o plano de Duhalde para adiar a eleição presidencial em um mês para 27 de abril. A incerteza sobre quando a eleição seria realizada também prejudicou as negociações nesses últimos 11 meses.
Segundo o presidente argentino, porém, ''existem pessoas boicotando a saída da crise''. Segundo ele, os dirigentes políticos ''têm pela frente uma prova de fogo: ou demonstram sua incapacidade e agravam a crise ou mostram que têm inteligência e ajudam o país''.


