FMI examina as contas brasileiras
Agência Estado
De Brasília
O governo brasileiro iniciou ontem as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a quarta revisão do acordo de ajuda financeira ao País, negociado no final do ano passado. A missão técnica, chefiada pela economista Teresa Ter-Minassian, diretora-adjunta do Departamento do Hemisfério Ocidental do fundo, participou ontem de uma série de reuniões no Banco Central e no Ministério da Fazenda. Como sempre, os técnicos do FMI evitaram falar com a imprensa. O objetivo do FMI nesta visita é analisar o comportamento das contas nacionais no primeiro semestre deste ano.
A missão ficará no Brasil até a próxima sexta-feira para coleta de dados, mas a conclusão das negociações ocorrerá somente em Washington (EUA), no final do mês, quando autoridades brasileiras da área econômica estarão participando da reunião anual conjunta do FMI e do Banco Mundial (Bird).
Logo no início da manhã a equipe de técnicos do FMI reuniu-se com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, para coletar dados sobre balanço de pagamentos, agregados monetários e dados preliminares sobre o nível de atividade econômica.
Após a reunião no BC, Ter-Minassian e sua equipe seguiram diretamente para o Ministério da Fazenda, onde passaram o restante do dia em reuniões com os secretários Edward Amadeo (Política Econômica), Amaury Bier (Executivo) e Marcus Caramuru (Assuntos Internacionais). No final da tarde, a missão teve um encontro com o ministro Pedro Malan.
A revisão do acordo faz parte do entendimento do Brasil com o FMI e já resultou na alteração de previsões do termo inicial, assinado com o Fundo Monetário e que envolve um ajuda financeira de US$ 41,5 bilhões do Fundo, Bird, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco de Compensações Internacionais (BIS), representando 20 países.
O fundo acompanha os indicadores econômicos e o cumprimento das metas a cada trimestre, quando é reavaliado o cenário econômico que serviu de base para a definição das metas e previsões anteriores. Nesta revisão, dois parâmetros econômicos deverão ser revistos: o comportamento do PIB e a estimativa para o superávit da balança comercial.
Apesar de serem esperadas alterações nas últimas projeções feitas para estes dois indicadores, isto não implicará, segundo o governo, numa mudança das metas definidas na assinatura do acordo, que prevêem um superávit primário de todo o setor público de 3,1% do PIB em 1999, 3,25% em 2000 e 3,35% em 2001. Estas metas é que devem ser, obrigatoriamente, cumpridas.
O secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, já afirmou que dificilmente o superávit da balança comercial será de US$ 1,5 bilhão este ano, como previu o Banco Central em sua última avaliação no mês passado. Na última revisão do acordo, divulgada em julho, o governo previa um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões, valor depois alterado pelo BC para US$ 1,5 bilhão. Amadeo também acredita que a projeção do PIB para este ano deva ficar entre 1% e zero. Na terceira avaliação, a previsão era de que o PIB brasileiro registrasse desempenho negativo de 1%.





