A economia mundial terá seu menor crescimento em oito anos em 2001, de acordo com as projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional). O economista-chefe do Fundo, Kenneth Rogoff, chegou a sugerir, durante a divulgação do ''World Economic Outlook'', que esta projeção seria demasiado otimista, já que o relatório foi concluído antes dos atentados terroristas nos EUA.
''Uma recessão nos Estados Unidos já pode ser dada como certa'', afirmou Rogoff. Em seguida, pediu aos jornalistas que não levassem em conta essa declaração. Preferiu que registrassem apenas que ''sem dúvidas'' as taxas divulgadas seriam bastante inferiores se o atentado aos EUA tivesse sido computado. Mas o Fundo acredita agora que a recuperação norte-americana viria apenas em meados de 2002, em vez de no final deste ano.
O Fundo projeta, agora, crescimento de 2,6% para a economia mundial neste ano. Em abril, a instituição já havia rebaixado a taxa de 4,5% para 3,2%. Os motivos para o pessimismo são a desaceleração da economia global. Desde o final de 2000, a desaceleração dos EUA, maior potência mundial, afeta o desempenho econômico de outra regiões do planeta.
Segundo o relatório, os indicadores econômicos mundiais dos últimos seis meses se enfraqueceram em praticamente todos os continentes. Mas o FMI afirma que existem razões para otimismo e projeta crescimento de 3,5% para a economia global em 2002. E prevê que os atentados aos EUA terão um ''efeito moderado'' no crescimento global neste ano.
O Fundo também reduziu sua previsão de crescimento para o Brasil, Argentina e para a América Latina, dizendo que a economia regional foi afetada pelas turbulências da Argentina. O Brasil, que sofreu com o contágio argentino, incerteza política e crise energética, crescerá 2,2% este ano, 2,3 pontos percentuais a menos que na previsão anterior do Fundo feita em abril (de 4,5%). A previsão para o Brasil é a mesma já feita pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. Para a Argentina, a previsão cai de um crescimento de 2% para contração de 1,4%.
O Fundo avalia que os governos têm tomado medidas corretas para estimular suas economias. Cita também que as condições econômicas mundiais são, hoje, muito mais consistentes do que foram no passado - como refletem as melhores taxas de inflação, de desempenhos fiscais e credibilidade.
Apesar de não falar explicitamente em recessão global, Rogoff disse que ''não há nenhuma região economicamente importante no planeta a dar suporte para a atividade produtiva no planeta. Isso aumentou a vulnerabilidade da economia global a choques e elevou o risco de realimentação do ciclo de desaceleração econômica cujas consequência são de difícil previsão''.
Para a economia norte-americana, o Fundo prevê um crescimento de 1,3%, ante os 1,5% anteriormente divulgados. Rogoff acrescentou que as medidas adotadas pelo país após os atentados, como a redução dos juros e o pacote de estímulo econômico, permitirão uma rápida retomada do crescimento. Para a União Européia, o Fundo rebaixou em 0,6 ponto percentual sua projeção, para 1,8%, e afirma que ainda há espaço para novas reduções dos juros. Para o Japão, o futuro continua sombrio. O país deverá ter uma retração de 0,5% em 2001 e tímido crescimento de 0,2% em 2002.

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