FMI e Bird divergem no 1º dia da 54ª assembléia anual
Fábio Pahim Jr.
Agência Estado
De Washington
A abertura solene da 54ª assembléia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, no hotel Marriot Wardman, em Washington, que recebeu investimentos de dezenas de milhões de dólares na sua renovação, foi marcada pela insistência de James Wolfensohn, do Bird, em dar extrema ênfase ao infortúnio e à pobreza, e a resposta do diretor gerente do Fundo, Michel Camdessus, para quem o melhor caminho para reduzir a pobreza é fortalecer o ambiente macroeconômico para que as instituições tornem-se mais sólidas e confiáveis, evitando que os governos tenham de gastar dinheiro público com credores privados.
Estamos comodamente em Washington mas a crise não acabou, disse Wolfensohn. Não conseguiremos reduzir a pobreza de 50% até 2015, previu. Haverá oito bilhões de habitantes em 25 anos. Dos seis bilhões de hoje, três bilhões sobrevivem com menos de dois dólares por dia e 1,3 bilhão, com menos de um dólar por dia. Isto não é um legado para nossos filhos. Não basta, portanto, lutar para reduzir a pobreza. É preciso reconhecer a necessidade de coordenar melhor nossos esforços, assinalou, combinando aspectos sociais e estruturais com os aspectos macroeconômicos e financeiros.
Camdessus enfatizou que a recuperação econômica decorrerá da competência dos governos e da colaboração de todos. Nenhum voto contrário foi dado às propostas nas reuniões do board do Fundo, revelou. Quando diziam que fazíamos mais mal do que bem (numa alusão às críticas sofridas pelo FMI) vocês nos ajudaram.
O Brasil, ao lado da Coréia, Tailândia, Filipinas e Rússia foram mencionados entre os países que tiveram o respaldo do FMI. A grande lição da crise é a de que no novo mundo da globalização, a cooperação é necessária. A segunda lição é a de que as reformas têm de ser mais rápidas seja do sistema financeiro e monetário internacional, seja a ofensiva para erradicar a pobreza e humanizar a globalização. Para isso, é essencial envolver o setor privado na prevenção e na solução das crises. Segundo Camdessus, a volatilidade dos fluxos privados de capital, oscilando da euforia ao pânico, podem e precisam ser diminuídas para promover um relacionamento maduro entre credores e seus clientes soberanos, e entre a comunidade financeira e o setor oficial.





