Do Financial Times
Larry Summers, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, assumiu a liderança no debate sobre como reformar o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). O que está em jogo se tornou ainda mais sério devido ao relatório altamente crítico sobre ambas as instituições que a comissão Meltzer apresentou ao Congresso norte-americano.
Apesar de todos os seus defeitos, as principais recomendações do relatório são consideravelmente atraentes: o papel do FMI deveria ser limitado ao de emprestador de último recurso; os empréstimos do Banco Mundial deveriam ser destinados apenas aos países mais pobres do mundo, que não têm acesso aos mercados de capitais; as instituições não devem sobrepor atividades.
O secretário do Tesouro dos EUA não concorda com essas idéias e diz que, embora divisão de trabalho dessa ordem possa parecer ótima, as coisas nunca não são tão fáceis, na prática.
Assim, embora Summers pense que o Fundo Monetário Internacional deveria reduzir a escala de seus empréstimos de longo prazo para incentivar o desenvolvimento, a instituição precisa continuar operando na área. Embora o Banco deva se concentrar em empréstimos aos países mais pobres, a exigência da comissão Meltzer de que não empreste mais nada aos mercados emergentes é uma teimosia inútil.
Como demonstram as experiências do passado, empréstimos para estimular o desenvolvimento não são exatamente uma das especialidades do Fundo Monetário Internacional.
Larry Summers diz, no entanto, que os empréstimos do Banco Mundial para o desenvolvimento serão prejudicados caso haja instabilidade na estrutura financeira do país.
O FMI tem um papel de assessoria a desempenhar, complementando os conhecimentos especializados do Banco na área de redução da pobreza. Mas por que ele deveria cuidar dos empréstimos? Tudo que é preciso é que o FMI certifique a solidez fiscal e financeira de um país antes que o Banco conceda seus empréstimos.
Quanto a empréstimos do Banco Mundial às economias de mercado emergente, Summers aceita em parte as recomendações da comissão Meltzer. Um país tem uma capacidade finita de pagar dívidas e de tomar empréstimos. Summers alega que a chave deveria ser, adicionalmente, evitar excluir o setor privado dessas operações.
O Banco Mundial e os bancos regionais de desenvolvimento deveriam se concentrar em dar sustentação à provisão de bens públicos, o que o mercado não seria capaz de fornecer adequadamente.

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