FMI discute quadro econômico com banqueiros
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segunda-feira, 19 de maio de 2003
André Palhano<br> Agência Estado 
São Paulo - As questões relacionadas ao setor financeiro tomaram a maior parte da reunião que a vice-diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, e o diretor do Departamento Ocidental do Fundo, Anoop Singh, tiveram ontem com banqueiros em almoço no Clube São Paulo. Segundo apurou a Agência Estado, Krueger quis saber dos bancos os motivos para o elevado custo do capital no País, com ênfase na questão dos spreads bancários, a pequena participação do crédito como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) e ainda a natureza da inadimplência bancária.
Também questionou a natureza e a percepção dos banqueiros sobre a nova Lei de Falências do governo. Tal discussão tomou praticamente toda a parte inicial da reunião. Depois disso, as conversas passaram a girar sobre um cardápio variado de temas econômicos e políticos, dos quais os dirigentes do FMI dedicaram especial atenção para a questão da credibilidade do governo Lula, temas macroeconômicos como a inflação e as contas externas e ainda a visão do FMI sobre a economia mundial e a situação da Argentina.
Ao comentar a inflação, Krueger destacou ser um segmento em que as notícias têm sido ''bastante positivas'' e limitou-se a dizer que o Banco Central saberá fazer a escolha certa na definição dos juros básicos.
Os banqueiros, por sua vez, explicaram os motivos para o elevado custo do capital e a baixa oferta de crédito - por exemplo o que consideram uma ''péssima'' qualidade da execução de garantias - e relataram a situação econômica do País com contornos positivos, ainda que com alguma cautela. A reunião contou com a participação de executivos como Roberto Setubal (Itaú), Fernando Sotelino (Unibanco), Antonio Bornia (Bradesco), Geraldo Carbone (BankBoston), Fábio Barbosa (Real ABN Amro), Gustavo Marin (Citibank ), Gabriel Jaramillo (Santander Banespa), Valdery Albuquerque (Nossa Caixa) e Michael Geoghegan (HSBC), entre outros.
Também participaram o secretário de Assuntos Internacionais da Fazenda, Otaviano Canuto, o representante do Brasil no FMI, Murilo Portugal, e o diretor de Relações Exteriores do Fundo, Thomas Dawson.


