FMI deveria ajudar países a investir, sugere economista
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domingo, 11 de fevereiro de 2007
Fernando Dantas<br> Agência Estado 
Rio - A maior parte dos economistas não vê grandes riscos no curto prazo para a economia global, em razão do imenso acúmulo de reservas pelos emergentes. Mas uma questão que vem sendo crescentemente debatida é até que ponto esses países estão tirando alguma vantagem desse circuito financeiro. Em um famoso discurso no BC da Índia em março de 2006, o economista Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro americano e ex-reitor da Universidade Harvard, estimou que as reservas dos países emergentes além do nível necessário somavam US$ 1,5 trilhão em meados de 2005. Ele frisou que já estava usando um critério exagerado do que era ''o nível necessário'', definido como duas vezes mais do que as dívidas de curto prazo dos países.
Segundo Summers, se as reservas dos emergentes fossem investidas em projetos internos de infra-estrutura ou aplicadas de forma mais diversificada no mercado internacional, o ganho para aqueles países poderia atingir US$ 100 bilhões por ano. Ele cita uma observação de Dani Rodrik, outro economista de grande prestígio mundial, de que aqueles ganhos com melhor aplicação das reservas são comparáveis ao que se espera de uma hipotética conclusão bem-sucedida da Rodada Doha de liberalização comercial.
O economista sugere que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, que no passado se devotaram a arrumar empréstimos para países emergentes em crise, se dediquem agora a ajudá-los a aplicar melhor as suas reservas. Ele chega a propor que aquelas instituições criem um instrumento financeiro para os emergentes investirem suas reservas de forma mais rentável.
Otaviano Canuto, diretor-executivo do Banco Mundial, nota que os BCs asiáticos já estão deslocando reservas para montar uma agência de desenvolvimento, o que ele vê com uma certa reserva: ''Não é atribuição dos bancos centrais fazer esse tipo de operação''.
Motivado pelo forte aumento nas reservas internacionais nos últimos dois anos, o Banco Central (BC) pode rever sua carteira de referência (benchmark) para investimentos dos dólares acumulados pelo País, informou uma fonte da instituição. A carteira é o parâmetro para que o Departamento de Operações das Reservas Internacionais do BC(Depin), responsável pela gestão dos recursos, atue na aplicação das reservas, que é sempre feita no mercado externo.
Em dezembro, as reservas brasileiras atingiram US$ 85,8 bilhões, ante 52,9 bilhões ao final de 2004. Na última quinta-feira (8), diante das pesadas compras de dólares realizadas pelo BC durante a semana, elas já alcançavam US$ 93,37 bilhões e, nesse ritmo, podem superar os US$ 100 bilhões até março.


