FMI desconversa sobre novo acordo
O FMI (Fundo Monetário Internacional) jogou ontem um balde de água fria nas expectativas dos mercados e da opinião pública ao anunciar que não está negociando oficialmente a extensão de seu programa econômico com o governo brasileiro e ao descartar o anúncio de um novo empréstimo ao País num prazo curto. É prematuro falar em negociação, em valores, e não há pressa nenhuma em elaborarmos um novo programa, afirmou hoje o porta-voz do FMI, Thomas Dawson. A missão brasileira que chegou a Washington não está negociando, mas apenas debatendo a situação econômica atual e as opções do País para quando o programa atual acabar em 1º de dezembro.
Segundo Dawson, não existe uma situação de crise iminente na economia brasileira que justifique um reforço de urgência no programa com o Brasil, embora o País esteja sendo afetado adversamente por um número de fatos, alguns domésticos, outros globais e alguns regionais, particularmente o contágio da Argentina.
Curiosamente, as declarações de Dawson foram feitas no primeiro dia de conversas da missão brasileira no FMI, liderada pelo secretário executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier. Dawson afirmou ter sido informado pelo governo brasileiro de que a missão em Washington não tem mandato para negociar e lembrou que a diretoria do FMI estará em recesso durante a primeira metade de agosto. Informalmente, assessores do Fundo estimam que um novo acordo com o Brasil só vá ser anunciado no final de agosto ou no começo de setembro.
Fontes com grande conhecimento do Fundo, porém, alertam para o fato de que o FMI evita antecipar qualquer informação ou comentário sobre uma negociação enquanto o país envolvido não tomar a decisão de torná-la pública. Isto, de certa forma, relativiza a cautela de Dawson ao falar do assunto. (Das agências)





