Washington - O Fundo Monetário Internacional recomendou às autoridades argentinas fixar, o quanto antes, uma data para unificar o câmbio duplo que o país adotou na semana passada como saída para a paridade fixa com o dólar e flutuar o peso. Essa é uma das condições para o aprofundamento do diálogo técnico que a instituição iniciou esta semana com o novo governo, enviando dois de seus economistas a Buenos Aires.
‘‘No curtíssimo prazo, não tomamos uma posição, mas dissemos e continuaremos a dizer que esperamos que as autoridades implementem um regime (cambial) consistente com um prazo factível e viável para remover e unificar as duas taxas de câmbio o mais cedo possível’’, disse a diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, ontem, nas primeiras declarações públicas feita por um dirigente da instituição desde o colapso da economia argentina. ‘‘Não cremos que o câmbio duplo seja sustentável a médio e longo prazo; ele requer vários controles mecânicos muito difíceis de se administrar’’.
Krueger deixou claro que o Fundo quer ver um compromisso do governo do presidente Eduardo Duhalde com os vários elementos de uma política econômica sustentável antes de falar em novos créditos para a Argentina. ‘‘O Fundo ajudará com conselhos técnicos e de política econômica à medida em que eles comecem a montar um programa coerente’’, afirmou ela. ‘‘Até que eles façam isso, é prematuro e não há sentido em falar no apoio do Fundo para um programa’’.
A vice-diretora do FMI conversou com os jornalistas depois de participar de uma reunião de três horas com os 24 diretores executivos da instituição. ‘‘Estamos todos no Fundo muito preocupados com a situação da Argentina, somos sensíveis à situação social extremamente difícil e sabemos que a nova equipe está formulando a política econômica num contexto que é muito duro’’, disse ela. ‘‘Já deixamos claro que estamos prontos para ajudar a Argentina nesse momento extremamente difícil e estamos e continuaremos em contato estreito com as autoridades’’.
Ela informou que uma ‘‘missão monetária’’ do Fundo estará em Buenos Aires na segunda-feira para assessorar o governo na medidas que precisam ser tomadas a curto prazo. Além da unificação e flutuação do câmbio, estas incluem a suspensão das medidas de controle de capitais introduzidas nas semanas finais da administração de la Rúa, em uma desesperada tentativa para salvar o sistema cambial de paridade com o dólar. ‘‘Não se pode manter os depósitos bancários congelados para sempre e as autoridades não estão pensando em fazer isso’’, disse ela.

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