FMI critica vulnerabilidade das contas externas do País
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sexta-feira, 14 de junho de 2002
Agência Folha 
Rio de Janeiro O representante do FMI (Fundo Monetário Internacional) no Brasil, o moçambicano Rogério Lucas Zandamela, manifestou ontem no Rio preocupação com o perfil da dívida pública do País majoritariamente atrelada ao dólar e aos juros e com o que classificou de deterioração das contas externas.
Ele disse que FMI recomenda para o Brasil um remédio sugerido para todos os países que já firmaram acordos com a instituição: conservadorismo monetário e fiscal, aprofundamento das reformas estruturais, aprofundamento das reformas do sistema financeiro e aumento da integração regional.
Para economistas como Alberto Furuguem, da consultoria Macroanálises e ex-diretor do BC, o receituário leva a pelo menos uma conclusão: as taxas de juros não deverão ser reduzidas tão cedo pelo BC. Furuguem assistiu à palestra que Zandamela proferiu no BC a convite da Associação e do Sindicato dos Bancos do Estado do Rio.
Nos últimos anos, afirmou Zandamela, tanto o sistema bancário quanto os setores segurador e de mercado de capitais passaram por um amplo processo de modernização e fortalecimento do aparato regulatório e de fiscalização.
Com isso, disse, o Brasil criou mecanismos de prevenção a crises e turbulências externas. Mesmo o sistema de pagamentos do país, considerado ruim pelo executivo, já teria alcançado um grau suficiente de modernização. Antes, o sistema de pagamento brasileiro apresentava risco para o BC.
Com relação à fragilidade externa, ele disse que o superávit da balança comercial alcançado no ano passado continua insuficiente para fechar as contas do país. O Brasil, segundo Zandamela, ainda depende significativamente de financiamento externo.
O executivo afirmou que a dívida pública também apresenta perfil não adequado, embora não seja das mais altas se comparada com o passivo de outros países, mesmo desenvolvidos.
O problema é que, além de ter crescido muito rapidamente, como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) hoje está em cerca de 54%, a dívida pública apresenta alto percentual de indexação ao dólar e à taxa de juros. Atualmente, afirmou Zandamela, cerca de 30% desse passivo estão atrelados a papéis cambiais.


