FMI convidou Brasil para o grupo de credores
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quinta-feira, 09 de abril de 2009
Adriana Fernandes<br>Agência Estado 
Brasília - O Brasil poderá emprestar de imediato até US$ 4,5 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Em comunicado feito ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que o FMI convidou o Brasil a participar do grupo de países credores do Fundo, chamado pelo ministro de Fundo de Transação Financeira. Segundo o ministro, se chamado, o Brasil poderá contribuir com o montante de até US$ 4,5 bilhões para reforçar o caixa do FMI com o objetivo de emprestar recursos aos países que estão precisando de ajuda neste momento de crise financeira internacional.
Esse valor corresponde à cota do Brasil no Fundo. Caso o Brasil seja chamado pelo FMI a emprestar, explicou o ministro, o governo recebe Direitos Especiais de Saque do FMI, que podem ser contabilizados nas reservas internacionais brasileiras. Dessa forma, segundo Mantega, num eventual aporte ao Fundo, as reservas internacionais não serão afetadas.
Hoje, dos 185 países que integram o FMI, 47 são países credores. ''São países que são avaliados e que demonstram que têm solidez em suas contas externas e têm reservas'', disse Mantega.
''Estou aceitando esse convite do Fundo. Para nós é importante porque nós estaremos do lado daqueles que vão contribuir no caso que o Fundo precise para financiar outros países'', disse. Segundo o ministro, não será a primeira vez que o Brasil integra esse grupo. Ele disse que, até 1982, o país fazia parte do grupo de credores do FMI.
O ministro explicou que o limite da cota do Brasil é US$ 4,5 bilhões, mas ''não quer dizer que vamos colocar o dinheiro agora. Se o Fundo necessitar, vai nos solicitar e nós colocaremos até esse volume''.
Fundo especial
Mantega informou também que o Brasil poderá fazer outro aporte ao FMI quando o Fundo montar um instrumento adequado que não afete também as reservas internacionais brasileiras. Ele explicou que o Fundo está preparando um título especial - bond - para disponibilizar para os países que querem fazer aporte ao FMI.
O ministro disse que o empréstimo na modalidade desse título não afetará o nível de reservas porque funcionará como uma aplicação num bônus, que pode ser contabilizada nas reservas. ''Só podemos fazer aportes que mantenham nossas reservas num mesmo patamar'', disse.
Esse é, de acordo com o ministro, o aporte que foi discutido na última reunião de cúpula do G20. Segundo Mantega, os Estados Unidos, a China, Canadá e outros países querem fazer esse tipo de aporte e acrescentou. O valor não está definido e, por isso, Mantega não quis confirmar se o volume poderá chegar a US$ 10 bilhões, como chegou a ser aventado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


