FMI começa hoje revisão do acordo
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domingo, 16 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Brasília - O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), Jorge Marquez-Ruarte, chegou ontem ao Brasil para a segunda revisão do acordo assinado com o País. O desempenho da economia brasileira com o risco de guerra no Iraque; as propostas de reformas tributária e da Previdência e o comportamento da inflação deverão dominar as discussões dessa que é a primeira negociação oficial com o novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
''Vamos analisar todos os tipos de variáveis para ver como vai ser afetada a economia'', disse Ruarte sobre a perspectiva de uma guerra agora no golfo comprometer o desempenho da economia brasileira. Segundo ele, o risco de guerra é um fator importante para todas as economias latino-americanas.
Cauteloso, o chefe da missão preferiu na sua chegada ao Brasil, como é de praxe no Fundo, não fazer comentários antecipados sobre a situação do País e nem sobre as propostas de reformas. Disse apenas que a economia ''vai muito bem''. ''Temos que ver como vai seguir o governo e a economia nos próximos meses'', afirmou Ruarte, que ficará no Brasil até o próximo dia 26.
O chefe da missão terá encontros com vários ministros, além de Antonio Palocci, da Fazenda. Reuniões técnicas também foram agendadas com os ministros Ricardo Berzoini (Previdência), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Dilma Roussef (Minas e Energia). Com o ministro Berzoini, o fundo vai discutir, na quarta-feira, as finanças da Previdência e a proposta de reforma do sistema, assunto considerado de extrema importância pelo FMI.
Social - A novidade dessa segunda revisão é que a missão do FMI poderá ser encontrar com a ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva. Uma reunião entre os técnicos do fundo e Benedita está para ser confirmada ainda essa semana. Se o encontro vier mesmo a acontecer, será um marco no relacionamento do Brasil com o Fundo. Pela primeira vez, temas como gastos e políticas sociais entram na pauta de discussões com o FMI.
Os técnicos da missão já estão no Brasil há uma semana. Chegaram mais cedo para fazer uma avaliação sobre a economia em 2003 nos termos do artigo 4º do estatuto da instituição. Todos os países membros do Fundo, mesmo os que não têm programas de socorro financeiro como o Brasil, passam por essa avaliação econômica. A segunda revisão do acordo propriamente dita só começa hoje, com a presença do chefe da missão.
A reunião final de negociação está marcada para o dia 25 com o ministro Antonio Palocci, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e os secretários do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, e de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Otaviano Canuto.
Depois a missão, vai para o Rio para reuniões no Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do BC e no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Joaquim Levy, principal negociador com o fundo, já adiantou a intenção do governo de simplificar os termos do acordo e colocar nos documentos oficiais apenas o que for considerado essencial. Para o secretário, o importante é o reforço da ''expressão de confiança'' do fundo nas políticas que estão sendo adotadas pelo governo Lula.
Dessa vez, o governo já se adiantou e promoveu um aumento de 3,75% para 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) meta de superávit primário das contas do setor pública, medida que foi elogiada imediatamente pela direção do FMI. Depois da segunda revisão, o Brasil terá direito a sacar, em março, mais US$ 4,2 bilhões, que irão reforçar as reservas internacionais.


