FMI chega à Argentina para avaliar perdão
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segunda-feira, 26 de novembro de 2001
Ariel Palacios<br>Agência Estado 
O presidente Fernando de la Rúa começa uma semana crucial para seu governo. Hoje, começam as reuniões com os integrantes da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que avaliarão as descalabradas contas fiscais e analisarão a possibilidade de conceder um waiver (perdão) ao país.
Além disso, ainda nesta segunda-feira os Fundos de Pensões apresentariam os títulos que participarão da operação de reestruturação da dívida. De quebra, De la Rúa tentará reunir amplos setores políticos, empresariais e sindicais para tentar estabelecer metas de ''consenso nacional''.
A missão do FMI, comandada pelo chileno Thomas Reichmann, chegou ontem a Buenos Aires, um dia antes do previsto, a pedido do presidente De la Rúa, que tem urgência em definir a situação da Argentina com este organismo financeiro internacional.
O governo argentino ultrapassou em US$ 1,3 bilhão a meta de déficit fiscal pactada com o FMI para este ano, de US$ 6,5 bilhões. Além disso, o governo precisa desesperadamente da entrega antecipada, por parte do FMI de US$ 1,26 bilhão para poder cobrir parte dos vencimentos de dívidas, em um total de US$ 2,7 bilhões que deve pagar até o fim deste ano.
A entrega deste US$ 1,26 bilhão, prometido na blindagem financeira concedida pelo organismo financeiro, estava prevista somente para fins de dezembro. Comentários extra-oficiais indicam que no FMI existe grande cansaço pelas repetidas falhas do governo De la Rúa em cumprir suas promessas fiscais. Mas o ministro da Economia, Domingo Cavallo, declara-se otimista.
Segundo ele, ''não houve um afastamento significativo das metas fiscais que haviam sido estabelecidas''. Cavallo afirma que o FMI ''não está duro'' com a Argentina, e que ''a missão do FMI vai recomendar os desembolsos pendentes''. O ministro sustenta que o Fundo pretende analisar como está indo a operação de reestruturação da dívida.
Além disso, pela primeira vez em uma década, integrantes do FMI começam a avaliar a eventual necessidade de que o país abandone a conversibilidade econômica, que desde 1991 estabelece a paridade um a um entre o peso e o dólar. Esta necessidade teria sido sugerida pela vice-diretora do Fundo, Anne Krueger, ao ministro Cavallo, em uma reunião ocorrida há poucos dias.
Enquanto isso, ainda hoje o governo espera que os Fundos de Pensões (conhecidos na Argentina pela sigla AFJP) apresentem os títulos que participaração da operação de reestruturação da dívida. O governo e os mercados calculam que os Fundos apresentariam um total de títulos equivalentes a US$ 17 bilhões.
Na sexta-feira passada foi a vez dos bancos argentinos, que apresentaram US$ 12,5 bilhões em títulos para a reestruturação. De forma geral, os banqueiros definiram a operação como ''um sucesso''.
Segundo Enrique Ruete Aguirre, diretor do HSBC Bank Argentina, os Fundos de Pensões participarão da operação ''em massa''. Em troca, os bancos e os Fundos de Pensões receberão um empréstimo garantido pela arrecadação tributária, e com uma taxa de juros anual de 7%.
Espera-se que até sexta-feira também seja realizada a operação de refinanciamento das dívidas das províncias. Neste caso, calcula-se que seriam apresentados títulos com o valor de US$ 7 bilhões. O governo pretende realizar em meados desta semana uma reunião entre os diversos setores políticos, empresariais e sindicais para procurar uma saída ''de consenso nacional'' à crise.


